Devaneio na “gaiola das loucas(os)”, com doze de histeria
com pintadas de hipnose coletiva e o sistema “alienante” das crenças religiosas: Salvação?!
Um dos conceitos mais intrigantes na
doutrina cristã e a ideia de “salvação”, propagada como um sistema de crenças
por muitas denominações, tem se mostrado uma das ferramentas mais eficazes de
controle emocional e social das massas, mas também uma das mais nocivas à saúde
mental e à convivência humana. Este conceito, muitas vezes vendido como a chave
para uma vida “perfeita no paraíso” após morte, cria uma ilusão que na maioria
das vezes transforma indivíduos em seres arrogantes, prepotentes e julgadores,
além de perpetuar comportamentos alienantes que sublimam a vida terrena tudo em
nome de uma promessa celestial.
É curioso observar como o conceito de salvação ganhou força em detrimento de uma compreensão mais ampla e verdadeira dos ensinamentos de Jesus em seu "caminho, verdade é a vida"(João 14:6), que deve servir como modelo. Enquanto o próprio Jesus afirmava que aqueles que o seguissem deveriam "negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo" (Mateus 16:24), ou seja, assumir responsabilidade por seus atos e da própria caminhada espiritual, o apóstolo Paulo, que não conviveu com Jesus, em livros que atribuem ao mesmo, talvez numa jogada que mais parece “marketing religioso”, distorceu essa mensagem ao afirmar que "se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10:9). Essa simplificação doutrinaria atraiu multidões, mas a que custo?
Essa visão “fácil” de salvação,
amplamente difundida, deu guarida a uma mentalidade de “comodismo espiritual”.
O fardo é transferido para Jesus, que “terá levado todas as dores” (Isaías
53:4), enquanto os crentes vivem suas vidas sem reflexão crítica, julgando e
condenando todos àqueles que não compartilham de suas crenças, sentindo-se
superiores, só porque creem, foram batizados e frequentando um culto será salvo, talvez, isto é tratar Deus (antropomórfico ainda) como um fantoche sem sapiência. Dessa
forma, a religião, que poderia ser uma ponte para a compreensão e a empatia,
transforma-se em uma ferramenta de exclusão e alienação.
Essa mentalidade de superioridade espiritual lembra-se de certa forma, os perigos do “darwinismo social”, uma ideologia que, no passado, foi usada como justificativa para políticas de exclusão e discriminação, ou seja, guarita para o nazismo e o fascismo. Assim como o “darwinismo social” buscava validar uma hierarquia baseada em conceitos pseudocientíficos, o sistema religioso de salvação cria divisões baseadas em crenças, promovendo uma espécie de "eugenia espiritual", onde os "salvos" se consideram melhores e mais dignos que os "perdidos" o que corrobora para surgimento do "deus da Guerra", a esse respeito trato no texto intitulado: Revolução da Consciência: Por que o "deus de Guerra" Deve Ser Deixado para Trás?. Também corrobora para ideias de "darwinismo social" é o fundamentalismo, a esse respeito trato no texto:Fundamentalismo: Domando as Massas de manobra - O Poder dos Pastores na Manutenção do Controle. Essa visão não apenas reforça comportamentos discriminatórios, mas também perpetua a ignorância em relação a questões mais profundas, como o papel do karma e do dharma no processo evolutivo humano/espiritual.
Um exemplo dessa correlação religioso dos termos em uma exemplificação é o grupo chamado Ku Klux Klan, que emergiu nos Estados Unidos no século XIX como uma organização supremacista branca, unindo fanatismo cristão e ideais de pureza racial para justificar a segregação e a violência. Para seus membros, a manutenção da ordem social dependia da preservação de uma linhagem "superior", onde apenas os escolhidos teriam o direito de prosperar. Esse pensamento se associava ao darwinismo social, pois adotava a lógica de que a sociedade deveria refletir uma seleção natural distorcida, onde os mais fortes – segundo sua própria definição – dominariam os considerados inferiores, reforçando desigualdades com a justificativa de que eram naturais e desejáveis. O fundamentalismo religioso, por sua vez, fortalecia essa visão ao interpretar dogmas de forma rígida, criando um Deus punitivo e guerreiro que legitimava a perseguição de qualquer grupo visto como ameaça à ordem divina. Já a eugenia religiosa se manifestava na obsessão por uma identidade pura e predestinada, onde não apenas a raça, mas também a crença correta, determinava quem era digno de ocupar um lugar na sociedade, transformando a intolerância em um dever sagrado.
É aqui que surge a “gaiola das loucas
(os)”, uma metáfora para o estado mental coletiva de histeria alimentada por
sistemas religiosos que alienam seus seguidores. As promessas de salvação
funcionam como uma hipnose coletiva, tirando das pessoas a capacidade de
refletir criticamente sobre suas próprias vidas e sobre o mundo ao seu redor,
enquanto agentes de mudanças que naturalmente são. Em vez de assumirem suas cruzes — os desafios,
responsabilidades e dificuldades intrínsecas à existência humana —, muitos
preferem se esconder por trás de uma falsa moralidade e de dogmas (bengalas espirituais) que
justificam a falta de ação, de compaixão e de auto-aperfeiçoamento.
Em contraste, conceitos como karma (a lei de causa e efeito) e dharma (o caminho ou propósito de vida) oferecem uma visão mais evolutiva e responsável da espiritualidade, também conhecida como lei de causa e efeito. Esses conceitos enfatizam o papel do indivíduo em sua própria transformação e crescimento, reconhecendo que cada ação tem consequências e que a verdadeira mudança vem de dentro para fora. Explicar essas ideias, em vez de vender a salvação como um “produto religioso” da empresa chamada igreja, seria muito mais enriquecedor para o desenvolvimento humano e espiritual da humanidade. A respeito dos conceitos de Karma e Dharma, trato no texto intitulado: Limitantes da vida: karma e dkarma !?
Jesus, em seus ensinamentos, frequentemente condenava a hipocrisia e as práticas vazias da religiosidade institucionalizada, nos conduzindo a reflexões sobre seu interesse em criar uma religião, templos, escrever seus ensinamentos. Ele afirmou que "o templo de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:21), destacando que a conexão divina é interior e não depende de templos ou estruturas religiosas. Em João 10:34, Jesus lembra: "Vós sois deuses", enfatizando o poder interior e a responsabilidade pessoal para construção da realidade. Ele também advertiu contra a hipocrisia dos líderes religiosos, chamando-os de "fariseus hipócritas" (Mateus 23:13), e ensinou que "não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca" (Mateus 15:11), sublinhando a importância das palavras e ações. No entanto, esses ensinamentos frequentemente são negligenciados em favor de doutrinas que reforçam o controle externo e o julgamento, afastando os indivíduos da verdadeira espiritualidade. A esse respeito escrevi o texto intitulado: Tijolos Espirituais: Reflexões sobre a Construção de Comunidades à Luz dos Ensinos de Jesus
Como é fácil perceber nos Evangelhos,
encontramos os ensinamentos de Jesus com foco nas dimensões espirituais da vida
e nos valores que fundamentam a conduta humana, sem uma instrução explícita
para a construção de igrejas físicas como as conhecemos hoje. Embora haja uma
ênfase na importância da comunidade e na união entre os seguidores, como
exemplificado no versículo de Mateus 18:20, que destaca a adoração coletiva em
comunhão, não há indicação clara de que Jesus tenha planejado a criação de
templos. Isso sugere que a verdadeira igreja, para Jesus, não estava nas
estruturas físicas, mas na união de corações dedicados à sua mensagem de amor e
compaixão, refletindo a ideia de egrégora, onde a força espiritual surge da
união de intenções comuns. A
Jesus condenou os templos e da época e
quem deles “cuidavam/dependiam ou dependem” (FARISEUS), por que pediria para construir
igrejas? Observa-se que neste época, após a ressurreição de Jesus, havia dúvidas sobre a quem sua mensagem era destinada. Uma parte acreditava que era para os gentios (como Pedro e Paulo), enquanto outros defendiam que ela se dirigia exclusivamente aos judeus, ou seja, aos circuncisos, considerados o povo de Deus. Além disso, havia ainda outros discípulos, conhecidos como gnósticos, que não seguiam nenhuma dessas duas correntes e acreditavam em uma conexão direta e pessoal com o divino. Mateus 23:13-15 - Jesus acusa os fariseus de bloquear a entrada
para o Reino dos Céus e de fazerem conversões para torná-las piores:"Ai de
vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais o Reino dos Céus diante
dos homens; pois vós não entrais, nem os que estão entrando deixais
entrar."Mateus 23:23-24 - Jesus critica a ênfase dos fariseus em
pequenas regras, enquanto negligenciam os aspectos mais importantes da lei,
como a justiça, a misericórdia e a fé: "Ai de vós, escribas e fariseus,
hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e haveis
negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e
a fé. Deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas."Mateus
23:25-28 - Jesus os chama de "sepulcros caiados", pois, embora
aparentem ser justos externamente, estão cheios de impureza por dentro:"Ai
de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque limpais o exterior do copo e do
prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança."Lucas
11:39-44 - Jesus também critica os fariseus por se preocuparem com a
aparência externa, mas não cuidarem de sua pureza interior:"Agora, vós
fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de
roubo e maldade."Marcos 7:6-9 - Jesus cita o profeta Isaías para
condenar os fariseus pela hipocrisia, dizendo que eles honram a Deus com os
lábios, mas seus corações estão longe Dele:"Bem profetizou Isaías a vosso
respeito, hipócritas, como está escrito: 'Este povo me honra com os lábios, mas
o seu coração está longe de mim.”
A evolução das igrejas como instituições
organizadas pelos apóstolos pode ter sido uma resposta à necessidade de
disseminar a mensagem de Jesus e construir comunidades de adoradores, mas
também revela a complexidade de definir a quem era destinada a Boa Nova. Embora
não haja uma ordem explícita de Jesus para a construção de templos, a
resistência à formalização de instituições religiosas pode refletir uma crítica
ao sistema religioso da época, dominado por fariseus e saduceus, que se
distanciavam dos princípios inclusivos e acessíveis de Jesus, talvez a intenção
de Jesus nunca foi fundar uma nova religião e sim libertar as algemas destas.
Assim, a verdadeira igreja, conforme os ensinamentos de Jesus, transcende as
limitações físicas e se manifesta em comunidades vibrantes baseadas em amor,
solidariedade e compromisso mútuo. A
O conceito de salvação também introduz
uma ideia perigosa de hierarquia espiritual, na qual os “salvos” se consideram
superiores aos “perdidos”. Essa visão cria um ciclo de julgamento e condenação,
onde qualquer um que não compartilhe das mesmas crenças é visto como inferior
ou indigno. A arrogância espiritual, que nasce dessa mentalidade, afasta as
pessoas em vez de uni-las e perpetua uma cultura de divisão que contradiz o
próprio cerne da mensagem de Jesus: o amor incondicional e o acolhimento.
Além disso, o sistema alienante das
crenças religiosas, ao focar tanto na promessa de um futuro celeste,
desvaloriza a experiência presente. Sublimar a vida terrena em nome de uma
salvação futura criando sérios problemas de ordem psicológica, refletindo, às
vezes, em outras áreas, sendo em essência, “negar a própria vida”. A existência
humana é repleta de significados, desafios e aprendizados que não podem ser
ignorados ou relegados à esperança de um paraíso. O próprio Jesus enfatizou a
importância de viver com intenção, responsabilidade e cuidado, mas essa
mensagem se perde na narrativa simplista de que a fé sozinha é suficiente.
Um texto que amplia esse entendimento é: Deus e deus: Reflexões sobre Espiritualidade e Poder
"Naquele momento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e
perguntaram: 'Quem é o maior no Reino dos Céus? ' Então, ele chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: 'Em verdade vos digo que, se não for
humilde como uma criança de modo algum entrará no Reino dos Céus. Portanto,
quem for humilde
(sem se sentir superior) como
esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.'"
(Mateus 18:1-4)
É fundamental resgatar o verdadeiro significado da espiritualidade, rompendo com sistemas de crenças que alienam e aprisionam as mentes. Seguir Jesus não é apenas crer; é agir, assumir responsabilidades e encarar os desafios com coragem e compaixão. A salvação se existe, não está em dogmas ou rituais, em locais de concreto, mas em uma vida vivida com autenticidade, respeito ao próximo e amor ao mundo que nos cerca. A respeito de A distinção entre religião e espiritualidade, fé racional e irracional, trato no texto: Religião vs. Espiritualidade: Crítica à Fé Irracional e à Religiosidade na Nova ERA de luminous.
Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda:
'Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e
seus anjos. Pois tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não
me destes de beber; fui estrangeiro, e não me acolheste; estive
nu, e não me vestiste; estive enfermo e na prisão, e não me visitaste.
' Então, também estes lhe responderão: 'Senhor, quando te vimos com fome, ou
com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te
assistimos?' Então, lhes responderá: 'Em verdade vos digo que, sempre que o
fizestes a um destes meus irmãos, ainda que o menor, a mim o fizestes. ‘E
irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna. ’ (Mateus 25:41-46)
Nenhum comentário:
Postar um comentário