quinta-feira, 20 de julho de 2023

 

Demônio, Satã, lucífer  um conceito complexo e perverso: na igreja e fora dela!





Gabriel Rodriguez

A acepção dos termos Demónio, Satanás, Lúcifer, talvez seja um dos mais difíceis na contemporaneidade quando visto em uma visão minimalista do senso comum, sua compressão mostrasse um tanto fosca, obscura e pouco discutida, muitas vezes, por causa de interesses escusos que dominou por muitos séculos afins. Uma água complexa a navegar e que carece de novos significados e significantes para o progresso da humanidade.

Uma das grandes celeumas da filosofia é quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Nesta inofensiva pergunta nunca chegaremos a uma resposta correta. Em sede de analogia, quiza, pensemos: Deus criou o Diabo ou o Diabo criou Deus? Deus inventou o Diabo, uma vez que Deus é bom, como pode ter criado a maldade? Quem deu vida ao Diabo, uma vez que Deus criou tudo que há, conforme relatos da criação no livro do Génese? Seria um “sadismo ou bipolaridade” aceitar Deus é mal!? Pois bem, numa reflexão introdutória ainda numa lógica, na tal dualidade divina, no tocante a esta inferência, pode-se concluir: se o mal foi criado por Deus (claro, um Deus antropomórfico), logo Deus não seria tão bom assim!? Se Deus sabia da rebelião dos anjos, uma vez que é onisciente, onipresente, onipotente, por que deixou acontecer? Essas respostas são as mais confusas da teologia, e a resposta sempre resumisse em mistério ....

Então, supor a ideia de um Deus bom e onipotente criando um ser maligno e permitindo o mal levanta questões sobre a natureza divina e a existência do mal. Como pode um Deus benevolente criar uma entidade maléfica? Por que Deus, sendo onisciente, não impediu o mal? Essas pequenas reflexões inicias levantam dúvidas sobre a coerência da doutrina religiosa. Portanto, tais reflexões supõem-se, não é realizada pelos irmãos que somente repente passagens soltas (sem contexto) por meio de uma 'osmose', dentro de um sistema religioso que aprisiona no medo, e na culpa do pecado, e não liberta para “fé raciocinada”, meros cordelinhos a seguir o rebanho, cantando e gritando, suplicando (para um "deus" surdo, no que parece) em ritmo de festa ... 

Do ponto de vista crítico, podemos considerar que a concepção de Demónio, Satanás e Lúcifer foi criada pelos seres humanos ao longo da história para explicar fenómenos desconhecidos, para justificar o mal e como forma de controle social das massas, algumas vezes "massa de manobra", ou seja, um Deus e Diabo a imagem e semelhança dos homens em seu tempo, com suas aflições (drama da existência humana), com a compreensão limitada da ciência e do seu tempo, numa eterna teogonia. Assim, essas figuras (Deus e o Diabo) foram utilizadas para instalar medo, manipular a fé e impor uma moral específica (Imposição cultural),  um controle social lascivo, resultando em muitas guerras em prol da manutenção do tal poder  (Cruzadas e Inquisição).




Se contestar esse "deus" é difícil por causa dos dogmas alienantes, pior é discutir o Diabo que criasse para sustentar sua doutrina perversa, neste tal 'deus'. Entretanto, é válido analisar as bases teológicas, etimológicas e semânticas desses conceitos, bem como questionar o senso comum religioso que muitas vezes limita o pensamento crítico e a liberdade de questionar dogmas estabelecidos em prol de uma fé racional. Então, buscasse neste pequeno "testículo", humildemente, repensar tal “SER” nas sumarias bases teológicas, etimológicas, semântica, e também no senso comum religioso, não pretende explicar tudo, mas apenas servi como uma guia a mais pura reflexão.

Partindo do pressuposto de que Deus criou o Diabo, é possível questionar as implicações morais e lógicas dessa ideia. Ao explorar essas questões, busca-se uma visão mais racional e fundamentada, em vez de aceitar cegamente as crenças religiosas tradicionais.

Pois bem, mergulharemos no primeiro termo: etimologicamente, a palavra "Satã" tem origem no hebraico antigo שָׂטָן (pronunciado "satan"), que significa "adversário" ou "opositor". Na Bíblia hebraica, "Satã" é frequentemente usado como um título ou função, referindo-se a um “adversário” ou “acusador”, e não necessariamente como um ser maléfico (com chifres do cinema hollywoodiano). Interessante que neste contexto contemporaneidade, a palavra parece que tomou outros contornos, ao longo da historia,  no entanto sendo aplicada como um ser com chifres, em referência a um "Deus pagão Bafomé"( no senso comum imagético), todavia, o que parece ser mais coerente com a palavra “satan” falada na origem é de “oposição”, "adversário", algo que se opõe a alguém ou alguma coisa, uma energia contraria a algo, e não propriamente um ser maligno.

No que tudo indica um erro provavelmente "semântico", uma "apropriação cultural indevida" e com consequente uma imposição de cultural nos dias atuais, e que por muito tempo tem sido introjetado no consciente colectivo provocando pânico e medo as massas em suas liturgia do doem seu tudo para se salvar, pendurando até hoje. Portanto, originalmente, era um termo neutro usado para se referir a qualquer "pessoa ou coisa ou ainda uma ideia" que se colocasse como adversária ou oponente de outra como demonstrarei.

Os três termos,  pelo tempo passou pelos seguintes significantes: o primeiro de opositor, como algum pensamento, ideia contrária, sendo neste caso abstracta, não se define quem ou o quer; no segundo conceito, um "opositor" dentro do homem, em sua mente, esse forma é muito comum no budismo e no judaísmo, com veremos a seguir; e o terceiro, muito difundida pelo senso comum religioso, de um ser de chifres que leva as pessoas ao pecado e a maldade, influenciando a fazer coisas contrarias ao bem, bom e ao belo, muito comum na tradição cristã, pois Satã é frequentemente retratado como um ser maligno, opositor de Deus e líder dos demónios, uma verdadeira deturpação na etimologia da palavra no ceio de sua criação, no entanto,. esse ultimo foi utilizado e difundido pela igreja em sua teologia ou pedagogia tradicional do "medo para educar", o mesmo da palmatória e do ajoelhar no milho, levando a prisão das mentes, neste adestramento de cães.  Entretanto, cabe uma pergunta: se aprende ou se decora a ser bom? Se é bom por que deus castiga ou por que carregamos a bondade em nossa essência?    




A visão dos judeus sobre o termo "Satã" pode variar, assim como acontece em outras tradições religiosas. No entanto, para uma corrente majoritária do Judaísmo, "Satã" é geralmente interpretado como um opositor, um acusador ou uma força adversária. Ressalta-se que no Judaísmo, não há uma figura do diabo ou um ser supremo do mal como existe na tradição cristã. A visão judaica do mal é multifacetada e não se concentra em um único ser ou entidade. O Judaísmo enfatiza a responsabilidade humana e a capacidade de escolha moral, e atribuem o mal às ações humanas e às forças negativas presentes no mundo. Neste sentido, Os judeus interpretam "Satã" como uma representação simbólica das tentações, impulsos negativos e forças que desviam as pessoas do caminho correto. Em vez de ser uma entidade literal, "Satã", é visto como uma metáfora ou uma personificação dos desafios morais e espirituais que os indivíduos enfrentam em suas vidas.

Portanto, Os judeus trata o conceito de “satã”, de uma forma muito particular e no que parece, sendo uma visão mais coerente e evoluída, pois segue uma tradição em sua hermenêutica, e por está vinculado à língua de origem, não permitiu distorções trazidas pelas diversas traduções bíblicas e suas limitações da língua e da representação, sem contar a apropriação cultural que "adulteraram" a bíblia de sua originalidade e intenção, tudo em prol da alienação e controle das massas e domesticar esse homem violento. 



“Satã”, para a tradição judaica, salve engano, é tido como Deus ou fazendo parte de Deus (caos e ordem parte do processo de criação de Deus, Deus destrói para construí, constrói para destruir, como as ondas do mar, o bem e o mal fazendo parte de um mesmo "Ser" em movimentos cíclicos), assim sendo diabo é uma força que se opõe a algo, mas que tem um "sentido de educador", de fazer repensar seus caminhos e de aperfeiçoar, melhorar-se, aumentar sua fé. Se pensarmos na dualidade do bem e do mal em um movimento dialéctico (tese, antítese e síntese) seria possível compreender tal significado, neste contexto, satã, a maldade, os infortúnios da vida, servem para evolução do espírito, uma vez que permite o ser melhorar-se, com as criticas e oposições sofridas outrora, dando neste sentido, a maldade uma função educativa e "não destrutiva" como o significando do senso comum religioso lecciona. Talvez, teimamos em uma evolução no sentido didático e hermenêutico diante da apropriação cultural indevida.  

Observe bem essa passagem bíblica, Mateus 16:20-23, nesta é possível perceber que “Satanás”, não quer dizer que "Pedro" é um "Demónio" em si mesmo ou que está possuído por um (é um discípulo de Jesus), se refere, no que tudo indica, aos "sentimentos inferiores na escala vibratório"(caibalion), como dúvida, medo, raiva:   

    Então advertiu a seus discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Cristo.

Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia.

E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá.

Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens.

Lendo nas entrelinhas dessa passagem, ou fazendo uma interpretação extensiva e profunda, podemos perceber que Pedro estava pedindo a Jesus que desistisse de sua vereda, simplesmente  porque o “amava” (ainda que num sentimento de amor, no que tudo indica ‘possessivo’, pois, supõe-se que não havia entendido a verdadeira missão do amor ágape de Jesus).

Outrossim, os discípulos de Jesus enfrentaram desafios para compreender plenamente suas mensagens em parábolas, devido à compreensão rudimentar da época e à falta de educação formal, da maioria, somado ao conhecimento científico e espiritual da época limitado. Neste sentido, Pedro, era conhecido por sua "consciência da dúvida", pois negou Jesus por três vezes, demonstrando sua fragilidade diante das adversidades. No entanto, esse episódio destaca seu profundo amor pela mensagem do evangelho, pois em subsequente arrependimento e busca por redenção ilustram a conexão genuína com os princípios de Jesus, enfatizando que, mesmo diante de dúvidas e fraquezas, é possível encontrar redenção e crescer na fé. Pedro é considerado o discípulo que mais amou Jesus, ao negar, aprendeu o valor do amar. 

Portanto na passagem em questão, Pedro expressou seu desejo de evitar que Jesus sofresse e morresse, revelando seu cuidado excessivo (medo). Parece que ele tinha receio e dúvidas, talvez porque acreditasse que quem ama deveria proteger não permitir o sofrimento. Pedro não compreendia plenamente que essa era a missão de Jesus e que ela precisava ser cumprida.

Por tudo isso, foi chamado de "Satanás", uma vez que se colocou como opositor a missão de Jesus, ou seja, estava levando uma ideia contraria, ou plantando um sentimento que limitaria a ação, se aceitado como verdade, ou seja, o poder de potência de Jesus em sua missão estaria reduzido a nada, entretanto essa dúvida serviu para Jesus repensar seu designo. Salientasse, que as palavras de Pedro nesta passagem, não quer dizer que ao lado de Pedro tinha algum "demônio" ou que estava possesso, como já ouvir em algumas pregações, mas que Pedro estava em oposição às ideias de Jesus naquele momento, no entanto, servindo para fortificar a fé de Jesus em seu propósito.

Compreender esses termos de uma perspectiva oposta pode ser educativo. Muitas passagens bíblicas usam o termo "opositor" como sinônimo de "demônio" (pobreza de vocabulário nas traduções) para se referir a um pensamento contrário, em vez de uma entidade externa que causa perturbação. Abraçar essa interpretação pode capacitar o ser humano, em vez de dar poder a algo desconhecido ou estereotipado, como um ser de "chifres hollywoodianos". Essa abordagem coloca o ser humano no centro da tomada de decisões, incentivando o crescimento interior e o aprimoramento pessoal, no que parece ser a intenção educativa desta passagem. 



No livro de Jó (Jó 1:1-22) temos outro significado aos termos Demônio, Diabo, Satanás, muito vinculado ao conceito de opositor como um ser, mas resultado de uma doutrinação nos significados do senso comum religioso, uma interpretação literal perversa, mas no que tudo indica indo ao encontro de uma interpretação extensiva. Todavia salienta-se que Jô não era um joguete ou marionete de deus e o Diabo (irracional e sádico pensar assim, imagine,  Deus apostando a fé de Jó com o Diabo em uma 'bingo', claro lido em sentido literal com seres antropomórficos, talvez seria melhor ler como uma fábula, de meio simbólico ou metafórico e não literal, para não dar a Deus e ao diabo, um comportamento imaturo, infantil). Esse processo de perda de Jô e de sua fé se refere à consciência humana, o conflito entre Deus e o Diabo dentro de nós, a trama da existência. Essa corrente é muito elementar no budismo e irei tratar, logo após a passagem :

¹ Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.
² E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
³ E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente.
⁴ E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.
⁵ Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.
⁶ E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
⁷ Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.
⁸ E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.
⁹ Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?
¹⁰ Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra.
¹¹ Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.
¹² E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.
¹³ E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogênito,
¹⁴ Que veio um mensageiro a Jó, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pastavam junto a eles;
¹⁵ E deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.
¹⁶ Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu, e só eu escapei para trazer-te a nova.
¹⁷ Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Ordenando os caldeus três tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.
¹⁸ Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,
¹⁹ Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.
²⁰ Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou.
²¹ E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.
²² Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

A visão budista sobre o mal está relacionada ao conceito de "sofrimento" e à ideia de que o sofrimento é causado pelas acções prejudiciais dos seres sencientes, que são consequências da ignorância, apego e aversão. Em vez de atribuir o mal a uma entidade externa, o Budismo enfatiza que o mal surge das mentes e acções humanas.O Budismo aborda a superação do sofrimento através do Caminho Óctuplo, que inclui práticas como a sabedoria, a moralidade e a meditação. Ao cultivar a compreensão, a compaixão e a sabedoria, os budistas acreditam que é possível superar o sofrimento e alcançar a libertação do ciclo de renascimentos (samsara), atingindo assim o estado de Nirvana. Neste contexto, no que bom parte da bíblia mostra sobre o opositor, o foco está na responsabilidade individual, na auto transformação e na compreensão dos processos mentais para alcançar a libertação do sofrimento, este parece ser o conceito associativo com a história de Jó. 

Outrossim, a passagem intrigante da tentação de Jesus, encontrada em Mateus 4:1-11, sendo lamentavelmente interpretado como um ser maléfico, mas apresenta uma prática comum que pode ser encontrada em algumas religiões antigas, bem como em tradições espirituais esotéricas, como o ocultismo e algumas correntes gnósticas. Nessa passagem, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde jejuou por quarenta dias e quarenta noites. Durante esse período, ele foi tentado pelo diabo em três ocasiões. Cada tentação representava uma oferta para satisfazer necessidades físicas ou para demonstrar poder de uma maneira mundana. No entanto, Jesus resiste às tentações e reafirma sua dedicação a Deus e à sua missão espiritual. Na narrativa pode ser interpretada de várias maneiras, e uma delas é a ideia de que Jesus enfrentou e superou essas tentações como uma prova de sua força espiritual e compromisso com o caminho divino. Nesse contexto, a tentação representaria um desafio para Jesus provar a si mesmo, desenvolvendo seu autocontrole e resiliência, o que o prepararia para cumprir sua missão como Messias. A noção de se deixar tentar para vencer a si mesmo também pode ser encontrada em várias outras tradições espirituais, como o budismo, que enfatiza o domínio sobre os desejos e a superação das armadilhas da mente. No budismo, a busca pela iluminação muitas vezes envolve enfrentar e vencer as tentações internas e as distracções da mente, permitindo alcançar um maior auto conhecimento e crescimento espiritual, ou seja, vencendo seus demónios interiores, o próprio Satã, o opositor na mente, que todos temos. 


4 Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3 E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. 4 Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. 5 Então o diabo o transportou à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 6 e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. 7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus. 8 Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles. 9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10 Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. 11 Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram..

 Outro conceito, repetido mais que Jesus nos cultos para implantar o discurso de autoridade pelo medo, é a palavra "Lúcifer" é uma tradução latina do hebraico הֵילֵל (Helel) encontrada no livro de Isaías, no Antigo Testamento da Bíblia. Mais especificamente, é mencionada em Isaías 14:12:

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!"

A palavra "Lúcifer" é derivada do termo latino "lucifer", que significa "portador de luz" ou "estrela da manhã". Nessa passagem de Isaías, o profeta se refere ao rei de Babilônia usando a metáfora de uma estrela caída do céu, simbolizando a queda de seu poder e soberania. Mas uma utilização perversa, descontextualizada e usada no senso comum das igrejas inapropriadamente. 

É importante ressaltar que a figura de "Lúcifer" como um anjo caído associado ao Diabo ou Satanás é mais uma interpretação desenvolvida posteriormente na tradição cristã, especialmente em textos e mitos apócrifos e em algumas obras literárias. Essa associação não é directamente encontrada na Bíblia hebraica e não faz parte do cânon bíblico aceito pelas principais denominações cristãs. Portanto, essa interpretação é resultado de tradições e influências posteriores à Bíblia hebraica, mais uma apropriação indevida, um erro doutrinário.  

No contexto em que o cristianismo e outras religiões de origem semelhante reinterpretaram palavras e símbolos, é importante reconhecer que essas mudanças frequentemente tiveram um impacto significativo nas culturas que foram influenciadas por essas religiões. A reinterpretação de conceitos e símbolos culturais pode, em alguns casos, ter resultado na supressão ou "castração" de certos aspectos das culturas originais, especialmente quando essas mudanças foram impostas de forma autoritária ou dominante. Isso pode ter ocorrido através da substituição de crenças e práticas tradicionais por ideias religiosas estrangeiras ou pela reinterpretação de símbolos culturais em um contexto religioso diferente. Portanto, é fundamental considerar o impacto cultural e histórico das mudanças linguísticas e simbólicas que ocorreram ao longo da história, especialmente quando relacionadas a religiões e sistemas de crenças. Por fim, é importante ressaltar que quando atribuímos um novo significado a uma palavra, através de sua apropriação e modificação, estamos transformando não apenas a palavra em si, mas também a memória cultural desse povo e o significado de sua fé.

 Já que se tocamos no assunto anjos caídos,  vamos aprofundar a crença de que o Diabo é um anjo caído é falsa, pois tem suas origens em textos apócrifos e em tradições interpretativas posteriores ao período da redação das escrituras canônicas. Na Bíblia hebraica, especificamente no Antigo Testamento, não há uma descrição clara ou explícita de um anjo caído que corresponda ao que é comumente conhecido como o Diabo na tradição cristã, entretanto tal conceito é difundido em todas as igrejas como verdade, mesmo não incluindo tais livros em seus cultos, cabendo uma pergunta: por quê?                                                                                                                                                            As referências ao Diabo como um anjo caído e líder dos demônios têm suas bases principalmente em textos apócrifos judaicos e em tradições orais que se desenvolveram ao longo do tempo. Além disso, influências culturais e contato com outras religiões também desempenharam um papel na formação dessa crença. Um dos textos mais significativos para essa ideia é o Livro de Enoque, um apócrifo judaico que data de antes da era cristã. Neste livro, há uma narrativa sobre os anjos que se rebelaram contra Deus, liderados por um anjo chamado Azazel. Essa narrativa foi influente na formação da crença de que o Diabo era um anjo caído, entretanto é salutar retificar que como não é um livro aceito nos canônicos bíblicos, não deveria ser aceito como verdade doutrinária, entretanto convém ao medo das pregações, portanto deve ser usado???



Pois bem, a ideia de que o Diabo é um anjo caído é falsa, foi desenvolvida ao longo do tempo por meio da interpretação de textos apócrifos, tradições orais e influências culturais, sendo amplamente aceita na teologia do medo cristã, mas não sendo uma crença que se baseie diretamente nas escrituras canônicas da Bíblia hebraica, portanto sendo falsa mesmo o senso comum religioso propaganrem veementemente, claro crendo na bíblia e não em livros apócrifos, os quais os primeiros doutrinadores da igreja fez questão de apagar, nem se pergunta o porquê.  

O ultimo termo, a ser referenciado neste testículo é “demônio”, essa é campeã de citações em púlpitos no mundo cristão, todo, mais até que Jesus. Entretanto a palavra demônio é uma apropriação de outra cultura e seus seres, numa distorção clara de seus significantes.

A palavra "demônio" tem origem no termo grego "daimon", que originalmente se referia a uma divindade menor, espírito ou ser sobrenatural. No contexto da mitologia grega, os “daimones” eram entidades intermediárias entre os deuses e os humanos, e podiam assumir diversas formas e funções. No entanto, na tradição judaico-cristã, o termo "demônio" adquiriu uma conotação negativa e passou a ser associado a seres malignos ou espíritos maléficos que se opõem a Deus e à obra divina. Essa mudança de significado ocorreu com a influência do Cristianismo, que interpretou os “daimones” gregos como seres diabólicos ou infernais.                                                                                                                                                                                                                                                                                              Em uma analogia mais didática, os daimones gregos podem ser comparados aos Exus da cultura e religião africana, com suas devidas particularidades e diferenciações. É importante 'destacar' que a religião africana frequentemente sofre com a importunação religiosa, sendo mais uma vez vítima de apropriação cultural e/ou imposição cultural e religiosa, quando alguns ditos crentes afirmam erroneamente e com perversidade que os Exus são demônios! Não existe qualquer relação, são religiões diferentes! Tanto os Exus quanto os daimones são seres que "não fazem julgamento de valor, apenas atuam como mensageiros". Portanto, assim como os daimones na cultura grega, os Exus também possuem características multifacetadas e podem ser tanto benéficos quanto maléficos, dependendo de como são tratados e invocados pelos praticantes. É fundamental lembrar que as noções de bem e mal são muito complexas de definir, especialmente na perspectiva minimalista da dualista cristã (Deus e o Diabo). Neste contexto, ocorre uma apropriação cultural indevida tanto em relação aos gregos e seus daimones quanto aos Exus da religião africana, o que distorce o significado original dessas entidades multifacetadas. Isso reflete uma imposição, assim como o eurocentrismo que apresentou Jesus como uma figura de cabelos louros e olhos azuis durante a Inquisição, persistindo até os dias atuais no imagético popular. 

Um fato interessante quanto o ser “daimones” no cristianismo em sua função original, está presente na história da vida do rei Salomão que foi creditado como o construtor do Templo de Jerusalém, também conhecido como o Primeiro Templo. A história da construção do templo é narrada principalmente no Antigo Testamento, no livro de 1 Reis. De acordo com essas histórias, Salomão recebeu de Deus a tarefa de construir um templo grandioso em Jerusalém para ser o local de adoração central do povo de Israel. Para auxiliá-lo na construção, Salomão contratou uma grande quantidade de trabalhadores, incluindo especialistas em arquitetura e engenharia. Além disso, ele enviou uma solicitação ao rei Hiram de Tiro, buscando a ajuda de artesãos habilidosos para trabalharem no templo. Entretanto, há também menções a certos seres chamados "jinn" ou "demônios" nas narrativas bíblicas relacionadas à construção do Templo de Salomão, alguns interpretam como metáforas ou figuras de linguagem simbólica, em vez de indicações literais de auxílio demoníaco. Entretanto é bom mencionar de forma educativa e lúdica essa utilização original de “daimones” como seres duais e multifacetado. 



Pois bem na tradição ocidental, há histórias e lendas que afirmam que o rei Salomão invocou um demônio chamado Asmodeus ou Asmodeu durante a construção do Templo de Jerusalém. As histórias que mencionam a invocação de Asmodeus por Salomão são encontradas em textos apócrifos e na tradição folclórica e mística posterior. Um exemplo desses textos é conhecido como "O Testamento de Salomão", que é um apócrifo do Antigo Testamento. Nesse texto, é descrito que Salomão recebeu um anel mágico que lhe permitia controlar demônios, incluindo Asmodeus.

É importante mencionar que a figura de Asmodeus é mais amplamente conhecida como um demônio da tradição demonológica e folclórica posterior, incluindo a tradição judaica, cristã e islâmica. 

Na demonologia, Asmodeus é frequentemente associado à luxúria, tentação e corrupção. No entanto, essas crenças e histórias são baseadas em textos e tradições não canônicos, e suas interpretações variam consideravelmente entre diferentes fontes e sistemas de crenças.

De acordo com a tradição judaica, Asmodeus é considerado um dos sete príncipes dos infernos e um dos demônios mais poderosos. Ele é mencionado no Talmude e no Livro de Tobias, apócrifo do Antigo Testamento. No Livro de Tobias, Asmodeus é descrito como um demônio que assombra a vida de Sara, filha de Raquel, matando seus sete maridos antes que pudessem consumar o casamento. O protagonista Tobias é auxiliado pelo Arcanjo Rafael para afastar Asmodeus e trazer libertação. 

Na tradição cristã, Asmodeus é frequentemente associado aos pecados da lascívia e da luxúria, sendo retratado como um demônio sedutor e tentador. Ele é mencionado em obras literárias como o poema épico "Paraíso Perdido", de John Milton, onde é descrito como o demônio guardião do reino infernal e responsável por incentivar comportamentos imorais. Na tradição islâmica, Asmodeus é conhecido como Ash-Shaytan, que significa "O Diabo". Ele é considerado um dos principais demônios, associado à corrupção e à influência maligna sobre os seres humanos. É importante ressaltar que as características e as histórias associadas a Asmodeus podem variar em diferentes tradições e fontes. Sua figura é frequentemente utilizada para representar a tentação e o mal moral, sendo objeto de estudo e interpretação dentro da demonologia e da teologia.



Por fim, é essencial analisar criticamente as bases teológicas, etimológicas e semânticas desses conceitos, questionando o senso comum religioso que pode limitar o pensamento crítico. A ideia de um Deus bom criando uma entidade maligna levanta questionamentos sobre a natureza divina e a existência do mal, abrindo espaço para uma visão mais racional e fundamentada da fé, acima de tudo na busca de fortifica as potencializardes humanas, adormecidas no medo do Diabo ou deus e na culpa do pecado. O estudo das origens e interpretações desses termos nos leva a compreender que as concepções religiosas "evoluíram" ao longo do tempo e foram influenciadas por fatores culturais e sociais, levando-nos a repensar o significado dessas figuras e sua relevância nos dias de hoje, no processo natural, histórico, evolutivo da humanidade.

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P          Próximo texto: “dízimos e ofertas: para quem vai o DINDIM?”.

 

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 14 de julho de 2023

 




Culto ao “ódio” (na igreja que está no meu ser)

Gabriel Rodriguez

 

Na igreja do meu ser, ergo altares de dor e desilusão,

Amarro-me às correntes da paixão em meio à escuridão.

Cultivo o ódio que se mistura ao amor,

Uma dança sinuosa, sem trégua nem pudor.

 

Os espinhos das rosas que florescem no meu peito,

São lembranças amargas do que foi um dia perfeito,

O beijo não dado, um vazio a corroer,

Deixou marcas profundas, difícil de esquecer.

 

Na miragem da vingança, desejo a morte do desejo,

Que a vida se esvaia em seu cheiro de beijo.

Mas contraditoriamente, minha alma ainda implora,

Pelo amor que foi perdido, na espera que aflora.

 

Nesta estase de sentimentos tão extremos,

cultuo o ódio e o amor em meus poemas,

Uma guerra interna, sem resolução,

Deus e Diabo em uma valsa singela de tamanha consolação:

Em busca da redenção ou da salvação?!

Purgatório, inferno e céus, 

vai para casa do chapéu!

Tudo em uma dança tétrico a rapel



 


No entrelaçar das emoções, encontro a dualidade,

O ódio que arde, o amor que persiste na eternidade.

Aprendo, aos poucos, a lidar com essa dor,

Encontrando paz em meu próprio interior.

 

No altar desse culto turbulento e ardente,

Busco a cura da alma, o equilíbrio em minha mente.

Que o ódio se dissipe e o amor seja luz,

Na igreja do meu ser, a esperança reluz.






 

 

Culto ao “ódio” (com amor de trovador)

Gabriel Rodriguez


 


Moro de ódio do amor que ainda sinto por ti

Estou rancoroso do beijo que não dei

Do carinho que se foi...

Do afago que não tenho!



 

É tanta raiva que extra-borda em flores de luz e prazer

A morte que desejo é que a vida esteja eternamente no seu cheiro de orvalho

Nos mares e rios ...


O Desejo que tenho que morra de paixão

E que um dia vire amor e não ilusão

Neste êxtase de culto ao amor, só mais ‘ódio’.

Entretanto, no peito e na dor,

é da boca para fora! 

É sabido: é só amor!

 



 

"Vida em Páginas em Branco" (aos jovens)



Gabriel Rodriguez

 

No horizonte do mundo, um jovem se prepara,

Com sonhos nas mãos e esperanças no olhar,

Ele enfrenta o mercado, um desafio sem par,

Com a sede de conquistar seu lugar.

 




Páginas em branco esperam por sua história,

No palco do trabalho, ele busca sua glória,

Caminhos incertos, possibilidades infinitas,

Mas também desafios e barreiras aflitas.

 

A competição acirrada, a busca por oportunidades,

Os primeiros passos em direcção à maturidade,

O jovem luta para se destacar na multidão,

Mostrar seu potencial, sua dedicação.




 

Currículos elaborados, entrevistas emocionantes,

Esperando por aquela chance, por um instante,

Mas a rejeição vem, e a dúvida também,

Será que o sucesso chegará para alguém?

 

O mercado de trabalho é um mar turbulento,

Onde jovens buscam seu sustento,

Lidando com a inexperiência, a falta de confiança,

Persistindo diante da adversidade e da cobrança.

 

Mas o jovem é resiliente, determinado,

Ele aprende com cada obstáculo enfrentado,

Ele se adapta, se reinventa, busca aprendizado,

Crescendo e evoluindo, um ser transformado.

 

E assim, página por página, ele escreve sua história,

No mercado de trabalho, em busca de sua glória,

Com coragem, perseverança e determinação,

Ele enfrenta o desafio e encontra sua realização.


 



Então, jovem, siga em frente sem hesitação,

Abra suas asas e voe em direção à sua ambição,

O mercado pode ser árduo, mas você é forte,

E com dedicação, conquistará o seu norte.

 

 

 

 

Conflitos da Existência?!

 Gabriel Rodriguez





No silêncio da noite, questiono ao Criador,

Por que a vida é efêmera e cheia de dor?

Por que nos deu a existência, apenas para partir,

E deixar-nos a enfrentar o vazio a se expandir?

 

Deus, se me criaste, por que me condenas assim?

Por que tamanha crueldade em teu desígnio sem fim?

Uma criatura tão linda, repleta de emoção,

Deve-se abster de viver, sofrendo a escuridão?

 

Se és o Senhor do universo, onde está a razão,

Em permitir que a velhice traga solidão?

Com o tempo, a saúde se esvai e se esgota,

Enquanto a morte, impiedosa, nos devora por toda sorte

 




É difícil compreender os desígnios celestiais,

Quando a finitude nos ronda em rituais.

Deus, se me criaste, imploro por um sentido,

Para enfrentar a velhice e suas dores sem fim.

Um sorriso, um alento, uma oração, um suspiro ... 

Responde, tamanha criação! 


Mas mesmo no desespero e na busca por respostas,

Encontro coragem para encarar as tormentas mais duras.

Mesmo na sombra da morte, a fortaleza,

Para encontrar paz e significar a "tal" incerteza florescer.

 

Que a velhice não seja apenas um fardo a carregar,

Mas um momento de sabedoria a se valorizar.

Na perda da saúde e na aproximação da morte,

Encontramos a força para viver cada dia mais forte.

Que não caiba a sorte

Mil recursos celestiais, ao Deus pai!



 

Deus, se estás aí, ouça meu clamor,

Guie-me pelo caminho da paz e do amor.

Mesmo em meio às dúvidas, encontre-me no fim,

Para que eu possa enfrentar a velhice com esperançar da vida eterna!

Por fim, ....





Resumo: Este poema reflete a contestação em relação a Deus, expressando a perplexidade diante do sofrimento e da efemeridade da vida. Ele busca encontrar respostas para as perguntas angustiantes que surgem diante da aparente injustiça e abandono divino.

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