Demônio, Satã, lucífer um conceito complexo e perverso: na igreja e fora dela!
Gabriel
Rodriguez
A
acepção dos termos Demónio, Satanás, Lúcifer, talvez seja um dos mais difíceis
na contemporaneidade quando visto em uma visão minimalista do senso comum, sua compressão mostrasse um tanto fosca, obscura e pouco discutida, muitas vezes, por causa de interesses escusos que dominou por muitos séculos afins. Uma água
complexa a navegar e que carece de novos significados e significantes para o progresso da humanidade.
Uma
das grandes celeumas da filosofia é quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Nesta
inofensiva pergunta nunca chegaremos a uma resposta correta. Em sede de analogia, quiza, pensemos: Deus criou o Diabo ou o Diabo criou Deus? Deus inventou o Diabo, uma vez que Deus é bom, como
pode ter criado a maldade? Quem deu vida ao Diabo, uma vez que Deus criou tudo
que há, conforme relatos da criação no livro do Génese? Seria um “sadismo ou
bipolaridade” aceitar Deus é mal!? Pois bem, numa reflexão introdutória ainda numa lógica, na tal dualidade divina, no tocante a esta inferência, pode-se concluir: se o mal foi criado por Deus (claro, um Deus antropomórfico),
logo Deus não seria tão bom assim!? Se Deus sabia da rebelião dos anjos, uma
vez que é onisciente, onipresente, onipotente, por que deixou acontecer? Essas respostas são as mais confusas da teologia, e a resposta sempre resumisse em mistério ....
Então, supor a ideia de um Deus bom e onipotente criando um ser maligno e permitindo o mal
levanta questões sobre a natureza divina e a existência do mal. Como pode um
Deus benevolente criar uma entidade maléfica? Por que Deus, sendo onisciente,
não impediu o mal? Essas pequenas reflexões inicias levantam dúvidas sobre a coerência da
doutrina religiosa. Portanto, tais reflexões supõem-se, não é realizada pelos
irmãos que somente repente passagens soltas (sem contexto) por meio de uma 'osmose', dentro de um sistema religioso que aprisiona no medo, e na culpa do pecado, e não
liberta para “fé raciocinada”, meros cordelinhos a seguir o rebanho, cantando
e gritando, suplicando (para um "deus" surdo, no que parece) em ritmo de festa ...
Do ponto de vista crítico, podemos considerar que a concepção de Demónio, Satanás e Lúcifer foi criada pelos seres humanos ao longo da história para explicar fenómenos desconhecidos, para justificar o mal e como forma de controle social das massas, algumas vezes "massa de manobra", ou seja, um Deus e Diabo a imagem e semelhança dos homens em seu tempo, com suas aflições (drama da existência humana), com a compreensão limitada da ciência e do seu tempo, numa eterna teogonia. Assim, essas figuras (Deus e o Diabo) foram utilizadas para instalar medo, manipular a fé e impor uma moral específica (Imposição cultural), um controle social lascivo, resultando em muitas guerras em prol da manutenção do tal poder (Cruzadas e Inquisição).
Se
contestar esse "deus" é difícil por causa dos dogmas alienantes, pior é discutir o Diabo que criasse para sustentar sua
doutrina perversa, neste tal 'deus'. Entretanto, é válido analisar as bases teológicas, etimológicas e
semânticas desses conceitos, bem como questionar o senso comum religioso que
muitas vezes limita o pensamento crítico e a liberdade de questionar dogmas
estabelecidos em prol de uma fé racional. Então, buscasse neste pequeno "testículo", humildemente, repensar
tal “SER” nas sumarias bases teológicas, etimológicas, semântica, e também no
senso comum religioso, não pretende explicar tudo, mas apenas servi como uma guia a mais pura reflexão.
Partindo
do pressuposto de que Deus criou o Diabo, é possível questionar as implicações
morais e lógicas dessa ideia. Ao explorar essas questões, busca-se uma visão
mais racional e fundamentada, em vez de aceitar cegamente as crenças religiosas
tradicionais.
Pois bem, mergulharemos no primeiro termo: etimologicamente, a palavra "Satã" tem origem no hebraico antigo שָׂטָן (pronunciado "satan"), que significa "adversário" ou "opositor". Na Bíblia hebraica, "Satã" é frequentemente usado como um título ou função, referindo-se a um “adversário” ou “acusador”, e não necessariamente como um ser maléfico (com chifres do cinema hollywoodiano). Interessante que neste contexto contemporaneidade, a palavra parece que tomou outros contornos, ao longo da historia, no entanto sendo aplicada como um ser com chifres, em referência a um "Deus pagão Bafomé"( no senso comum imagético), todavia, o que parece ser mais coerente com a palavra “satan” falada na origem é de “oposição”, "adversário", algo que se opõe a alguém ou alguma coisa, uma energia contraria a algo, e não propriamente um ser maligno.
No que tudo indica um erro provavelmente "semântico", uma "apropriação cultural indevida" e com consequente uma imposição de cultural nos dias atuais, e que por muito tempo tem sido introjetado no consciente colectivo provocando pânico e medo as massas em suas liturgia do doem seu tudo para se salvar, pendurando até hoje. Portanto, originalmente, era um termo neutro usado para se referir a qualquer "pessoa ou coisa ou ainda uma ideia" que se colocasse como adversária ou oponente de outra como demonstrarei.
Os três termos, pelo tempo passou pelos seguintes significantes: o primeiro de opositor, como algum pensamento, ideia contrária, sendo neste caso abstracta, não se define quem ou o quer; no segundo conceito, um "opositor" dentro do homem, em sua mente, esse forma é muito comum no budismo e no judaísmo, com veremos a seguir; e o terceiro, muito difundida pelo senso comum religioso, de um ser de chifres que leva as pessoas ao pecado e a maldade, influenciando a fazer coisas contrarias ao bem, bom e ao belo, muito comum na tradição cristã, pois Satã é frequentemente retratado como um ser maligno, opositor de Deus e líder dos demónios, uma verdadeira deturpação na etimologia da palavra no ceio de sua criação, no entanto,. esse ultimo foi utilizado e difundido pela igreja em sua teologia ou pedagogia tradicional do "medo para educar", o mesmo da palmatória e do ajoelhar no milho, levando a prisão das mentes, neste adestramento de cães. Entretanto, cabe uma pergunta: se aprende ou se decora a ser bom? Se é bom por que deus castiga ou por que carregamos a bondade em nossa essência?
A
visão dos judeus sobre o termo "Satã" pode variar, assim como
acontece em outras tradições religiosas. No entanto, para uma corrente majoritária
do Judaísmo, "Satã" é geralmente interpretado como um opositor, um
acusador ou uma força adversária. Ressalta-se que no Judaísmo, não há uma
figura do diabo ou um ser supremo do mal como existe na tradição cristã. A
visão judaica do mal é multifacetada e não se concentra em um único ser ou
entidade. O Judaísmo enfatiza a responsabilidade humana e a capacidade de
escolha moral, e atribuem o mal às ações humanas e às forças negativas
presentes no mundo. Neste sentido, Os judeus interpretam "Satã" como
uma representação simbólica das tentações, impulsos negativos e forças que
desviam as pessoas do caminho correto. Em vez de ser uma entidade literal,
"Satã", é visto como uma metáfora ou uma personificação dos desafios
morais e espirituais que os indivíduos enfrentam em suas vidas.
Portanto,
Os judeus trata o conceito de “satã”, de uma forma muito particular e no que
parece, sendo uma visão mais coerente e evoluída, pois segue uma tradição em sua
hermenêutica, e por está vinculado à língua de origem, não permitiu distorções
trazidas pelas diversas traduções bíblicas e suas limitações da língua e da representação, sem contar a apropriação cultural que "adulteraram" a bíblia de sua originalidade e intenção, tudo em prol da alienação e controle das massas e domesticar esse homem violento.
“Satã”,
para a tradição judaica, salve engano, é tido como Deus ou fazendo parte de Deus (caos e ordem parte do processo de criação de Deus, Deus destrói para construí, constrói para destruir, como as ondas do mar, o bem e o mal fazendo parte de um mesmo "Ser" em movimentos cíclicos),
assim sendo diabo é uma força que se opõe a algo, mas que tem um "sentido de educador",
de fazer repensar seus caminhos e de aperfeiçoar, melhorar-se, aumentar sua fé. Se pensarmos na
dualidade do bem e do mal em um movimento dialéctico (tese, antítese e síntese) seria possível compreender tal significado, neste contexto, satã, a maldade, os infortúnios da vida, servem para evolução do espírito, uma vez que permite o ser
melhorar-se, com as criticas e oposições sofridas outrora, dando neste sentido, a maldade uma função
educativa e "não destrutiva" como o significando do senso comum religioso lecciona. Talvez, teimamos em uma evolução no sentido didático e hermenêutico diante da apropriação cultural indevida.
Observe bem essa passagem bíblica, Mateus 16:20-23, nesta é possível perceber que “Satanás”,
não quer dizer que "Pedro" é um "Demónio" em si mesmo ou que está possuído por um (é um discípulo de Jesus), se refere, no que tudo indica, aos "sentimentos inferiores na escala vibratório"(caibalion), como dúvida, medo, raiva:
Então advertiu a seus
discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Cristo.
Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus
discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas
coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres
da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia.
E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo,
dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá.
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim,
Satanás, que me serves de
escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas
que são dos homens.
Lendo nas entrelinhas
dessa passagem, ou fazendo uma interpretação extensiva e profunda, podemos
perceber que Pedro estava pedindo a Jesus que desistisse de sua vereda,
simplesmente porque o “amava” (ainda que num sentimento de amor, no que
tudo indica ‘possessivo’, pois, supõe-se que não havia entendido a verdadeira missão
do amor ágape de Jesus).
Outrossim, os discípulos de Jesus enfrentaram desafios para compreender plenamente suas mensagens em parábolas, devido à compreensão rudimentar da época e à falta de educação formal, da maioria, somado ao conhecimento científico e espiritual da época limitado. Neste sentido, Pedro, era conhecido por sua "consciência da dúvida", pois negou Jesus por três vezes, demonstrando sua fragilidade diante das adversidades. No entanto, esse episódio destaca seu profundo amor pela mensagem do evangelho, pois em subsequente arrependimento e busca por redenção ilustram a conexão genuína com os princípios de Jesus, enfatizando que, mesmo diante de dúvidas e fraquezas, é possível encontrar redenção e crescer na fé. Pedro é considerado o discípulo que mais amou Jesus, ao negar, aprendeu o valor do amar.
Portanto na
passagem em questão, Pedro expressou seu desejo de evitar que Jesus sofresse e
morresse, revelando seu cuidado excessivo (medo). Parece que ele tinha receio e
dúvidas, talvez porque acreditasse que quem ama deveria proteger não permitir o
sofrimento. Pedro não compreendia plenamente que essa era a missão de Jesus e
que ela precisava ser cumprida.
Por tudo
isso, foi chamado de "Satanás", uma vez que se colocou como opositor
a missão de Jesus, ou seja, estava levando uma ideia contraria, ou plantando um
sentimento que limitaria a ação, se aceitado como verdade, ou seja, o poder de
potência de Jesus em sua missão estaria reduzido a nada, entretanto essa dúvida
serviu para Jesus repensar seu designo. Salientasse, que as palavras de Pedro
nesta passagem, não quer dizer que ao lado de Pedro tinha algum "demônio" ou que
estava possesso, como já ouvir em algumas pregações, mas que Pedro estava em
oposição às ideias de Jesus naquele momento, no entanto, servindo para
fortificar a fé de Jesus em seu propósito.
Compreender esses termos de uma perspectiva oposta pode ser educativo. Muitas passagens bíblicas usam o termo "opositor" como sinônimo de "demônio" (pobreza de vocabulário nas traduções) para se referir a um pensamento contrário, em vez de uma entidade externa que causa perturbação. Abraçar essa interpretação pode capacitar o ser humano, em vez de dar poder a algo desconhecido ou estereotipado, como um ser de "chifres hollywoodianos". Essa abordagem coloca o ser humano no centro da tomada de decisões, incentivando o crescimento interior e o aprimoramento pessoal, no que parece ser a intenção educativa desta passagem.
Outro conceito, repetido mais que Jesus nos cultos para implantar o discurso de autoridade pelo medo, é a palavra "Lúcifer" é uma tradução latina do hebraico הֵילֵל (Helel) encontrada no livro de Isaías, no Antigo Testamento da Bíblia. Mais especificamente, é mencionada em Isaías 14:12:
"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã,
filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as
nações!"
A
palavra "Lúcifer" é derivada do termo latino "lucifer", que
significa "portador de luz" ou "estrela da manhã". Nessa
passagem de Isaías, o profeta se refere ao rei de Babilônia usando a metáfora
de uma estrela caída do céu, simbolizando a queda de seu poder e soberania. Mas uma utilização perversa, descontextualizada e usada no senso comum das igrejas inapropriadamente.
É importante ressaltar que a figura de "Lúcifer" como um anjo caído associado ao Diabo ou Satanás é mais uma interpretação desenvolvida posteriormente na tradição cristã, especialmente em textos e mitos apócrifos e em algumas obras literárias. Essa associação não é directamente encontrada na Bíblia hebraica e não faz parte do cânon bíblico aceito pelas principais denominações cristãs. Portanto, essa interpretação é resultado de tradições e influências posteriores à Bíblia hebraica, mais uma apropriação indevida, um erro doutrinário.
No contexto em que o cristianismo e outras religiões de origem semelhante reinterpretaram palavras e símbolos, é importante reconhecer que essas mudanças frequentemente tiveram um impacto significativo nas culturas que foram influenciadas por essas religiões. A reinterpretação de conceitos e símbolos culturais pode, em alguns casos, ter resultado na supressão ou "castração" de certos aspectos das culturas originais, especialmente quando essas mudanças foram impostas de forma autoritária ou dominante. Isso pode ter ocorrido através da substituição de crenças e práticas tradicionais por ideias religiosas estrangeiras ou pela reinterpretação de símbolos culturais em um contexto religioso diferente. Portanto, é fundamental considerar o impacto cultural e histórico das mudanças linguísticas e simbólicas que ocorreram ao longo da história, especialmente quando relacionadas a religiões e sistemas de crenças. Por fim, é importante ressaltar que quando atribuímos um novo significado a uma palavra, através de sua apropriação e modificação, estamos transformando não apenas a palavra em si, mas também a memória cultural desse povo e o significado de sua fé.
Já que se tocamos no assunto anjos caídos, vamos aprofundar a crença
de que o Diabo é um anjo caído é falsa, pois tem suas origens em textos
apócrifos e em tradições interpretativas posteriores ao período da redação das
escrituras canônicas. Na Bíblia hebraica, especificamente no Antigo Testamento,
não há uma descrição clara ou explícita de um anjo caído que corresponda ao que
é comumente conhecido como o Diabo na tradição cristã, entretanto tal conceito é difundido em todas as igrejas como verdade, mesmo não incluindo tais livros em seus cultos, cabendo uma pergunta: por quê? As referências ao Diabo
como um anjo caído e líder dos demônios têm suas bases principalmente em textos
apócrifos judaicos e em tradições orais que se desenvolveram ao longo do tempo.
Além disso, influências culturais e contato com outras religiões também
desempenharam um papel na formação dessa crença. Um dos textos mais
significativos para essa ideia é o Livro de Enoque, um apócrifo judaico que
data de antes da era cristã. Neste livro, há uma narrativa sobre os anjos que
se rebelaram contra Deus, liderados por um anjo chamado Azazel. Essa narrativa
foi influente na formação da crença de que o Diabo era um anjo caído,
entretanto é salutar retificar que como não é um livro aceito nos canônicos bíblicos,
não deveria ser aceito como verdade doutrinária, entretanto convém ao medo das pregações, portanto deve ser usado???
Pois bem,
a ideia de que o Diabo é um anjo caído é falsa, foi desenvolvida ao longo do tempo por
meio da interpretação de textos apócrifos, tradições orais e influências
culturais, sendo amplamente aceita na teologia do medo cristã, mas não sendo uma crença
que se baseie diretamente nas escrituras canônicas da Bíblia hebraica, portanto
sendo falsa mesmo o senso comum religioso propaganrem veementemente, claro crendo na bíblia e não em livros apócrifos, os quais os primeiros doutrinadores da igreja fez questão de apagar, nem se pergunta o porquê.
O
ultimo termo, a ser referenciado neste testículo é “demônio”, essa é campeã de
citações em púlpitos no mundo cristão, todo, mais até que Jesus. Entretanto a palavra demônio é uma apropriação
de outra cultura e seus seres, numa distorção clara de seus significantes.
A palavra "demônio" tem origem no termo grego "daimon", que originalmente se referia a uma divindade menor, espírito ou ser sobrenatural. No contexto da mitologia grega, os “daimones” eram entidades intermediárias entre os deuses e os humanos, e podiam assumir diversas formas e funções. No entanto, na tradição judaico-cristã, o termo "demônio" adquiriu uma conotação negativa e passou a ser associado a seres malignos ou espíritos maléficos que se opõem a Deus e à obra divina. Essa mudança de significado ocorreu com a influência do Cristianismo, que interpretou os “daimones” gregos como seres diabólicos ou infernais. Em uma analogia mais didática, os daimones gregos podem ser comparados aos Exus da cultura e religião africana, com suas devidas particularidades e diferenciações. É importante 'destacar' que a religião africana frequentemente sofre com a importunação religiosa, sendo mais uma vez vítima de apropriação cultural e/ou imposição cultural e religiosa, quando alguns ditos crentes afirmam erroneamente e com perversidade que os Exus são demônios! Não existe qualquer relação, são religiões diferentes! Tanto os Exus quanto os daimones são seres que "não fazem julgamento de valor, apenas atuam como mensageiros". Portanto, assim como os daimones na cultura grega, os Exus também possuem características multifacetadas e podem ser tanto benéficos quanto maléficos, dependendo de como são tratados e invocados pelos praticantes. É fundamental lembrar que as noções de bem e mal são muito complexas de definir, especialmente na perspectiva minimalista da dualista cristã (Deus e o Diabo). Neste contexto, ocorre uma apropriação cultural indevida tanto em relação aos gregos e seus daimones quanto aos Exus da religião africana, o que distorce o significado original dessas entidades multifacetadas. Isso reflete uma imposição, assim como o eurocentrismo que apresentou Jesus como uma figura de cabelos louros e olhos azuis durante a Inquisição, persistindo até os dias atuais no imagético popular.
Um
fato interessante quanto o ser “daimones” no cristianismo em sua função original, está presente na história da vida do rei Salomão que foi creditado
como o construtor do Templo de Jerusalém, também conhecido como o Primeiro
Templo. A história da construção do templo é narrada principalmente no Antigo
Testamento, no livro de 1 Reis. De acordo com essas histórias, Salomão recebeu
de Deus a tarefa de construir um templo grandioso em Jerusalém para ser o local
de adoração central do povo de Israel. Para auxiliá-lo na construção, Salomão
contratou uma grande quantidade de trabalhadores, incluindo especialistas em
arquitetura e engenharia. Além disso, ele enviou uma solicitação ao rei Hiram
de Tiro, buscando a ajuda de artesãos habilidosos para trabalharem no templo.
Entretanto, há também menções a certos seres chamados "jinn" ou
"demônios" nas narrativas bíblicas relacionadas à construção do
Templo de Salomão, alguns interpretam como metáforas ou figuras de linguagem
simbólica, em vez de indicações literais de auxílio demoníaco. Entretanto é bom mencionar de forma educativa e lúdica essa utilização original de
Pois bem na
tradição ocidental, há histórias e lendas que afirmam que o rei Salomão invocou
um demônio chamado Asmodeus ou Asmodeu durante a construção do Templo de
Jerusalém. As histórias que mencionam a invocação de Asmodeus por Salomão são
encontradas em textos apócrifos e na tradição folclórica e mística posterior.
Um exemplo desses textos é conhecido como "O Testamento de Salomão",
que é um apócrifo do Antigo Testamento. Nesse texto, é descrito que Salomão
recebeu um anel mágico que lhe permitia controlar demônios, incluindo Asmodeus.
É importante mencionar que a figura de Asmodeus é mais amplamente conhecida como um demônio da tradição demonológica e folclórica posterior, incluindo a tradição judaica, cristã e islâmica.
Na demonologia, Asmodeus é frequentemente
associado à luxúria, tentação e corrupção. No entanto, essas crenças e
histórias são baseadas em textos e tradições não canônicos, e suas
interpretações variam consideravelmente entre diferentes fontes e sistemas de
crenças.
De acordo com a tradição judaica, Asmodeus é considerado um dos sete príncipes dos infernos e um dos demônios mais poderosos. Ele é mencionado no Talmude e no Livro de Tobias, apócrifo do Antigo Testamento. No Livro de Tobias, Asmodeus é descrito como um demônio que assombra a vida de Sara, filha de Raquel, matando seus sete maridos antes que pudessem consumar o casamento. O protagonista Tobias é auxiliado pelo Arcanjo Rafael para afastar Asmodeus e trazer libertação.
Na tradição cristã, Asmodeus é frequentemente associado aos pecados
da lascívia e da luxúria, sendo retratado como um demônio sedutor e tentador.
Ele é mencionado em obras literárias como o poema épico "Paraíso
Perdido", de John Milton, onde é descrito como o demônio guardião do reino
infernal e responsável por incentivar comportamentos imorais. Na tradição
islâmica, Asmodeus é conhecido como Ash-Shaytan, que significa "O
Diabo". Ele é considerado um dos principais demônios, associado à
corrupção e à influência maligna sobre os seres humanos. É importante ressaltar
que as características e as histórias associadas a Asmodeus podem variar em
diferentes tradições e fontes. Sua figura é frequentemente utilizada para
representar a tentação e o mal moral, sendo objeto de estudo e interpretação
dentro da demonologia e da teologia.
Por
fim, é essencial analisar criticamente as bases teológicas, etimológicas e
semânticas desses conceitos, questionando o senso comum religioso que pode
limitar o pensamento crítico. A ideia de um Deus bom criando uma entidade
maligna levanta questionamentos sobre a natureza divina e a existência do mal,
abrindo espaço para uma visão mais racional e fundamentada da fé, acima de tudo na busca de fortifica as potencializardes humanas, adormecidas no medo do Diabo ou deus e na culpa do pecado. O estudo das
origens e interpretações desses termos nos leva a compreender que as concepções
religiosas "evoluíram" ao longo do tempo e foram influenciadas por fatores
culturais e sociais, levando-nos a repensar o significado dessas figuras e sua
relevância nos dias de hoje, no processo natural, histórico, evolutivo da humanidade.
·
P Próximo texto: “dízimos e ofertas: para quem vai o DINDIM?”.
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