quarta-feira, 24 de abril de 2024

 

Fundamentalismo: Domando as Massas de manobra - O Poder dos Pastores na Manutenção do Controle.


 Gabriel Rodriguez

O fundamentalismo, um fenômeno que percorre a história da humanidade, revela-se como uma manifestação de extrema rigidez ideológica, muitas vezes acompanhada de intolerância e até violência contra aqueles que não compartilham das mesmas crenças. O termo "fundamentalismo" tem suas raízes na virada do século XX, quando um grupo de cristãos protestantes americanos se comprometeu a defender e propagar os princípios fundamentais da fé, como a inerrância das Escrituras e a divindade de Jesus Cristo. No entanto, ao longo dos anos, o termo passou a ser aplicado a uma variedade de contextos religiosos e políticos em todo o mundo.


No contexto da igreja, o fundamentalismo teve origens que remontam aos primórdios da fé cristã, por exemplo, inquisição, cruzadas, catequese, mas ganhou nova dimensão nos tempos modernos. Atualmente, vemos a emergência de um fundamentalismo religioso que se manifesta em várias denominações, inclusive na nova igreja de ordem neo-pentecostal, onde conceitos como eugenia e interpretações seletivas (enraizadas em fake news) da história são utilizados para promover agendas políticas conservadoras. Líderes religiosos, muitas vezes, se alinham com correntes políticas de direita, invocando a defesa dos valores familiares para promover uma narrativa de exclusão e opressão contra aqueles que não se enquadram em suas visões dogmáticas.


 Esse tipo de fundamentalismo não apenas perpetua uma visão distorcida da religião, mas também serve como um veículo para a disseminação de ideologias extremistas e autoritárias, alicerçadas no ódio. Vemos exemplos históricos, como o regime de Adolf Hitler na Alemanha, que instrumentalizou a eugenia, o "darwinismo social", e o nacionalismo para justificar atrocidades em nome de uma suposta “pureza racial”. Além disso, regimes fascistas têm sido notórios por sua exploração do fundamentalismo religioso como uma ferramenta de controle social e legitimação do poder político. Neste contexto, torna-se essencial priorizar os valores cristãos, destacando o amor ao próximo como fundamental. Ser cristão deve ser encarado não apenas como um título (de salvo e superior aos outros do mundo), mas sim como um convite para uma prática comprometida e ativa de atitude do bem no mundo.

No Brasil, não é incomum ver líderes religiosos e políticos defendendo abertamente a ditadura militar de 1964, glorificando-a como um período de ordem e progresso, enquanto ignoram ou minimizam as violações de direitos humanos e as atrocidades cometidas durante esse regime. Essa narrativa revisionista não apenas distorce a história, mas também contribui para a perpetuação de um sistema de opressão e autoritarismo que marginaliza qualquer forma de pensamento crítico ou divergente. Muitas vezes, essas distorções são até contrárias à verdade, como confundir "humanismo" com "comunismo", por exemplo, ao defender que todos têm direito a se alimentar e que o Estado deve garantir esse direito; ou "libertinagem" com "liberdagem de expressão", por exemplo, ao argumentar que tudo o que se diz não pode ser objeto de processo e condenação, sob a alegação de que todos os direitos são absolutos e não relativos, no entanto é salutar observar que o caso concreto norteia-se sempre no lúmen no bom senso com o fiel e a "cegueira" da Iustitia.  



O fundamentalismo religioso frequentemente alimenta a intolerância, gerando conflitos e violações dos direitos humanos em nome da fé. Um exemplo disso é a visão estreita que alguns grupos fundamentalistas têm sobre outras religiões, levando à demonização de divindades de matriz africana, como Exu, ao rotulá-las como entidades malignas, os tais "seus demônios". Essa intolerância religiosa se manifesta em atos de violência direta, como invasões a terreiros de religiões de matriz africana, destruição de imagens sagradas e perseguição a praticantes dessas crenças. Essas ações não apenas atacam a liberdade religiosa, mas também perpetuam estereótipos prejudiciais e reforçam hierarquias de poder baseadas na supremacia de uma única fé, que fortificam tais crenças perversas. O fundamentalismo, ao promover essa intolerância, nega a diversidade religiosa e os direitos fundamentais de cada indivíduo, minando os princípios de coexistência pacífica e respeito mútuo entre diferentes comunidades de fé em um Estado Democrático de Direito, fundamentado em valores laicos.

Além disso, a disseminação do fundamentalismo muitas vezes contribui para a normalização e aceitação de práticas autoritárias, que apresentam a ditadura como a solução preferencial para os desafios sociais e políticos. Sob a influência de líderes religiosos fundamentalistas, a população é frequentemente induzida a acreditar que um governo autoritário é a única maneira eficaz de manter a ordem social e moral, enquanto protege os valores tradicionais. Essa retórica se manifesta na ideia de que supostamente a esquerda destrói as escolas com valores "contra a família", levando à proposta de uma "escola sem partido”. Essa mentalidade cria uma aceitação passiva da violação dos direitos individuais e das liberdades democráticas em nome da suposta estabilidade e segurança proporcionada pela ditadura. Ao promover essa narrativa, os pastores e líderes religiosos fundamentalistas desempenham um papel crucial na legitimação e perpetuação de regimes autoritários, minando assim a resistência e a busca por alternativas democráticas.



O culto ministrado no medo, na culpa do pecado e na visão de um Deus punidor alimenta no subconsciente coletivo a aceitação passiva do uso indiscriminado da força (ditadura) em detrimento dos direitos individuais. Ao internalizar a ideia de um divino que exige submissão e castigo, muitas pessoas se tornam suscetíveis à manipulação por líderes religiosos ou políticos que se apresentam como portadores da vontade divina. Essa mentalidade cria uma dinâmica em que a obediência cega é valorizada em detrimento da autonomia e da justiça, com a suposta aceitação de Deus manifestada na figura de algum messias terreno (teocracia). No entanto, esse caminho de submissão e manipulação pode levar a um cenário apocalíptico de dor, sofrimento e guerra, onde a humanidade paga o preço por sua cegueira e falta de discernimento.

Portanto, o fundamentalismo, seja na religião ou na política, representa uma ameaça à liberdade individual, à diversidade de pensamento e à coexistência pacífica. Sendo de suma importância resistir a essas tendências intolerantes e buscar uma sociedade baseada no respeito mútuo, na justiça e na inclusão de todas as vozes, independentemente de suas crenças ou ideologias, encontrando caminhos que une valores e que edificam qualquer fé, como o amor presente em todas as formas de religião.



 

sexta-feira, 19 de abril de 2024

 

O Caminho da Paz: Conflitos e Diálogo entre Judeus e Muçulmanos e a “Pitada de Pimenta” dos Autodenominados Cristãos Protestantes!



Gabriel Rodriguez

O conflito contemporâneo entre judeus e muçulmanos tem suas raízes na luta pelo controle de territórios sagrados e politicamente significativos, especialmente na região da Palestina/Israel. A fundação do Estado de Israel em 1948 e a subsequente resistência árabe à sua existência têm alimentado décadas de hostilidades. Disputas territoriais, identitárias e políticas têm sido exacerbadas por questões de segurança, refugiados e recursos.



Tais indiferenças remontam a séculos de história e étnico-religiosa. Ambos os grupos compartilham raízes ancestrais em Abraão, o patriarca bíblico que é reverenciado tanto no Judaísmo quanto no Islã. Segundo as escrituras, Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael. Isaque é considerado o ancestral do povo judeu, enquanto Ismael é considerado o ancestral dos povos árabes ou/e muçulmanos. Essa origem comum deveria ser a base para uma narrativa de irmandade entre as duas tradições irmãs, embora os conflitos modernos muitas vezes obscureçam essas conexões histórica e familiar.

A relação entre cristãos protestantes e os conflitos em Israel, incluindo a atual escalada de violência envolvendo o Hamas e agora suposto envolvimento do Irã, é uma questão complexa que merece uma análise cuidadosa. No entanto, alguns setores dentro do protestantismo Cristão têm defendido a guerra em Israel como uma luta divina, uma visão que pode ser traçada até interpretações literais do Antigo Testamento. Essa perspectiva propõe que Israel esteja cumprindo um papel profético em um conflito contra forças malignas e “terroristas” (em parte, tal termo é coerente em se tratando do Hamas), alinhado com narrativas apocalípticas e escatológicas, fazem parte do “bom dia” dos cristãos nos cultos e em casa, deveras.

 

No entanto, essa visão enfrenta diversos problemas. Primeiramente, é importante notar que o Cristianismo e o Judaísmo são tradições religiosas distintas, com diferentes crenças teológicas e práticas religiosas, diversas, como foi retificado no texto intitulado A CRUZ, a estrela e a ESPADA a caminho .... A associação entre o conflito em Israel e as profecias bíblicas ignora a separação clara entre essas duas fés e pode resultar em uma visão simplista e equivocada/distorcida da realidade.



Além disso, essa abordagem tende a enfatizar passagens do Antigo Testamento sobre guerra e vingança, enquanto negligencia os ensinamentos centrais do Novo Testamento, especialmente as mensagens de paz, amor e perdão ensinadas por Jesus Cristo. Ao justificar a guerra como uma luta divina, combate aos infiéis nesta forçosa associação do Deus de guerra do velho testamento em sua idade antiga, algumas igrejas protestantes podem estar promovendo uma visão distorcida da fé cristã, supostamente por "mera perversidade" e uso da fé burra que mantém "os cordeiros" na ignorância.  



 Em meio a essa situação complexa, violenta, de egrégoro nefasta, contraria os ensinamentos de Jesus Cristo sobre a paz, que oferece uma perspectiva inspiradora. Nas bem-aventuranças, registradas no Evangelho de Mateus, Jesus proclama: "Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9). Essa passagem destaca a importância da paz e da reconciliação, princípios fundamentais da mensagem de Jesus. Se Jesus, fala de paz, e inclusive foi crucificado pela guerra, pelo ódio, ou seja, defende a paz como meio e o fim da vida, por que sua igreja apoia a guerra como a melhor solução neste determinismo apocalíptico?  

 

"Os pacíficos", segundo Jesus, são aqueles que buscam a harmonia e a justiça, trabalhando para reconciliar diferenças e promover um mundo mais justo e compassivo. A promessa de que eles "herdarão a terra" pode ser entendida como “uma bênção” para aqueles que escolhem o caminho da paz em vez da violência.

 

Nessa perspectiva, os seguidores de Jesus são chamados a agir como "agentes de paz", buscando soluções pacíficas para conflitos e apoiando a reconciliação entre grupos em conflito. No contexto do conflito entre judeus e muçulmanos, essa visão desafia os cristãos a promoverem o diálogo e a compreensão mútua, em vez de alimentar divisões e animosidades.

 

Todavia, uma prática frequentemente associada a essa visão é a ênfase na instituição do "dízimo" conforme descrito no Antigo Testamento, sobre os dízimos trato, de forma sucinta, em texto intitulado: A Criação da Pobreza no Cristianismo: Uma Análise Crítica a luz da razão. No entanto, a prática do dízimo não é enfatizada nos ensinamentos de Jesus, que propõem uma abordagem mais livre e voluntária à doação, inclusive no velho testamento era doado em comida, e servia para alimentar os órfãos, viúvas, estrangeiros e a tribo de Levi que vivia no templo, não em tríplex a beira-mar a custa do dinheiro do gás das ditas ovelhas. Pois bem, a manipulação dessas doutrinas pode ser usada para reforçar a autoridade da igreja sobre os fiéis e para manter o controle financeiro e social, aprisionado corpos, mentes e espíritos, no medo, na culpa do pecado, na punição de Deus, e na obsessão do Diabo, tudo em prol de manter esse sistema religioso de escravidão das almas.

 

Outrossim, a pregação da teologia do medo e da culpa é outro aspecto preocupante dessa abordagem. Ao retratar o conflito como uma batalha entre o bem e o mal, essas igrejas podem instigar um clima de medo entre seus fiéis, incentivando a obediência cega às diretrizes da igreja. Esse tipo de doutrina pode ter efeitos adversos na psique humana, levando a uma visão polarizada do mundo e minando a capacidade de diálogo e reconciliação, apascentado no amor e paz de Jesus.

 

Em suma, a abordagem de alguns setores do protestantismo religioso em relação ao conflito em Israel pode estar baseada em interpretações seletivas e simplistas das escrituras, ignorando a complexidade das questões envolvidas. Uma visão mais equilibrada e inclusiva das escrituras poderia promover a paz e a compreensão entre os povos, em vez de fomentar divisões e conflitos. Os cristãos devem buscar uma interpretação mais cuidadosa e crítica dos textos sagrados, reconhecendo as nuances e diferenças entre as tradições religiosas e trabalhando para construir pontes de entendimento, em vez de muros de separação, ou seja, os cristãos devem e SER chamados a abraçar esses valores e a trabalhar ativamente para construir pontes de entendimento entre as diferentes comunidades religiosas.



segunda-feira, 8 de abril de 2024

 

A Histeria do Eclipse Solar de 08/04/2024: Teorias Conspiratórias e suas Consequências Económicas.





Gabriel Rodriguez

No dia 08 de abril de 2024, os céus se tornaram palco de um espetáculo cósmico magnífico: um eclipse solar total. Porém, em meio à beleza científica e astronômica desse fenômeno, uma sombra obscura pairava sobre alguns círculos, alimentada pelas teorias conspiratórias dos ditos protestantes sobre o fim do mundo.





Essas teorias, muitas vezes baseadas em interpretações seletivas de textos antigos, como a passagem bíblica dos três dias de escuridão prevista em livros como: Mateus 24:29-31,  Marcos 13:24-27, Lucas 21:25-28; Apocalipse 6:12-14;  foram extrapoladas para prever um evento cataclísmico no eclipse solar de 08/04/2024. Segundo essas interpretações, o sol se apagaria, mergulhando o mundo na escuridão, e isso seria um prenúncio do apocalipse iminente, conforme as passagens citadas afirmam.



Porém, conforme Jesus ensinou, ninguém sabe o dia ou a hora e sua vinda, mas devemos estar atentos aos sinais na natureza, conflitos, falta de amor e decadência moral. Estamos testemunhando esses sinais cada vez mais intensamente, desde que o mundo é mundo e desde que o homem explora o homem. Talvez, em vez de nos preocuparmos apenas com o que comemos na iminência do suposto apocalipse, seria de suma importância saber o que nosso próximo irá comer se eu comprar tudo, assim, deveríamos refletir sobre o que verdadeiramente carregamos em nossos corações:



Mateus 4:4: “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”.

Mateus 6:25-26, onde Jesus diz: "Portanto, eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que ela?”

 


Essas previsões absurdas desencadearam um comportamento de pânico e histeria coletiva em certos grupos, especialmente aqui no Brasil. Uma onda de consumo desenfreado varreu o país, à medida que as pessoas se preparavam para o “suposto” fim do mundo. Supermercados tiveram seus estoques esvaziados, faltando alguns itens básicos em alguns, enquanto estoques de alimentos desapareciam das prateleiras de outros, pior o preço era ajustado sempre para mais.



Essa reação irracional revela uma incompreensão profunda da economia básica de oferta e demanda. O medo e a ansiedade levaram as pessoas a agirem impulsivamente, sem considerar as consequências econômicas de suas ações. O aumento súbito e massivo de compras por alimentos, possivelmente resultara em escassez temporária e, consequentemente, poderá acionar uma crise ou inflação por demanda, em brevê.



Essa crise é exacerbada pelo fato de que muitos desses alimentos perecíveis, comprados em excesso, acabarão se estragando antes que a suposta catástrofe ocorra e não teremos oferta em tempo hábil, uma vez que estamos passando problemas climáticos que estão afetando a produção. Esse desperdício é um reflexo trágico da falta de racionalidade ou insanidade, munidos ao egoísmo da carne que permeia as teorias conspiratórias e suas ramificações na sociedade.



Além disso, essa irracionalidade não se limita apenas ao aspecto econômico. Ela também tem o potencial de criar um clima de paranoia e desconfiança, alimentando ainda mais as teorias conspiratórias e minando a confiança na ciência e na informação objetiva, criando um clima de eterno medo do futuro,  mente em estado de alerta constante.



Em última análise, o eclipse solar de 08/04/2024 serve como um lembrete do perigo das teorias conspiratórias e da necessidade de uma abordagem mais crítica e informada em relação à ciência em um categórico de fé racional. Devemos resistir à tentação de ceder ao medo e à paranoia, e em vez disso, buscar o entendimento baseado na razão. Somente assim podemos evitar não apenas crises econômicas desnecessárias, desperdício de alimentos, endividamento das famílias por consumo não programado, mas também o prejuízo maior de perder nossa fé na verdade e na racionalidade, do esperado e não ocorrido ...

Obs.: Se o sol não escurecer, após o dia 08/04/2024 e o apocalipse não começar, pelo menos é justo que aqueles que profetizaram peçam desculpas pela enganação.


 

“Barulho Divino”, Silêncio Alheio: Uma Reflexão ‘Irônica’ sobre Liberdade Religiosa e Convivência.

 




Gabriel Rodriguez

 

A questão do direito ao silêncio dos vizinhos em face de “gritarias” (suplicas) provenientes de atividades religiosas de algumas igrejas ou de qualquer outra natureza é um tema importante e sensível a ser tratado na nossa sociedade. É inegável que o excesso de ruído pode perturbar a tranquilidade e a paz de quem vive ao redor, criar surdez, impactando negativamente na qualidade de vida e no bem-estar emocional das pessoas.

 


Quando se trata de práticas religiosas que envolvem gritos e alaridos constantes, suplica, choro é válido questionar se o objetivo verdadeiro é alcançar uma conexão espiritual mais profunda ou se é simplesmente para chamar a atenção ou persuadir os participantes de alguma forma: ao dizimo. O uso do barulho excessivo como uma forma de manipulação mental ou indução à hipnose ou a autossugestão tendo como causa a histeria é preocupante e merece ser avaliado criticamente.



 

Para os vizinhos que sofrem com essa situação, o Direito ao silêncio é um Direito fundamental para preservar sua saúde mental e emocional, seu Direito ao descanso deve ser garantido.

Ainda, o constante ruído pode interferir em sua capacidade de descansar, dificultando a concentração em suas atividades diárias e até mesmo desfrutar do conforto de seu próprio lar. Além disso, a exposição prolongada a esse tipo de estímulo pode, de fato, contribuir para o aumento do estresse, da ansiedade e até mesmo desencadear problemas de saúde mental como a  pânico, transtorno de perseguição no que tudo indica problemas até piores.  


É importante lembrar que o direito ao silêncio não é apenas uma questão de conforto, mas sim um Direito humano fundamental. Bom ressaltar que tais fatos jurídicos podem ensejar processos administrativos nos órgãos competentes e até multas judiciais e em casos mais extremos causa até o fechamento do estabelecimento (igreja).




O Código Civil CC é o art. 1.277, que diz: O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha". Já a Lei de Contravenção Penal (LCP) é mais incisiva ao abordar o tema. O artigo de número 42 tipifica contravenção – Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios: I – com gritaria ou algazarra;II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;III– abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda: mais um mito é acreditar que você tem o direito de fazer barulho até às 22h. Saiba que mesmo durante o dia, os ruídos não podem ultrapassar um limite que incomode o sossego da população – 70 decibéis, o equivalente ao ruído de trânsito intenso. O município  de Salvador, bem como todos os municípios no Brasil possuem leis a respeito, em Salvador o número da lei é 5354/98, que DISPÕE SOBRE SONS URBANOS, FIXA NÍVEIS E HORÁRIOS EM QUE SERÁ PERMITIDA SUA EMISSÃO, CRIA A LICENÇA PARA UTILIZAÇÃO SONORA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

 


Destarte, todos têm o direito de viver em um ambiente que respeite sua tranquilidade e privacidade, independentemente de suas crenças religiosas ou convicções pessoais. Portanto, é responsabilidade de todos em uma sociedade democrática e que prioriza ser laica, buscarem um equilíbrio entre a liberdade de expressão, de culto, de crença e de manifestação do pensamento e o respeito pelos direitos e bem-estar dos outros combinado com o direito ao silêncio, outrossim que não existe no ordenamento pátrio Direito absoluto, o caso concreto decidira. Neste sentido, uma regra fundamental afirma que o meu Direito termina aonde começo o Direito do outro, ou seja, nenhum Direito é absoluto em um Estado Democrático de Direito, portanto devemos buscar a equidade, e o observar as peculiaridades do caso concreto, acima de tudo. 


Nesse sentido, é essencial promover o diálogo e a compreensão mútua entre os envolvidos, buscando encontrar soluções que atendam às necessidades de todos. Isso pode incluir estabelecer horários específicos para atividades que envolvam ruído excessivo, respeitando o que determina a lei, e investir em isolamento acústico ou simplesmente praticar o respeito mútuo, reconhecendo e valorizando a diversidade de perspectivas e necessidades dentro de uma comunidade.


Outrossim, seu Direito a liberdade e de culto não é maior que o Direito a silêncio do outro, bom destacar isso, e quem está reclamando não está contra seu Deus ou sua religião, ou com algum demônio, ao contrário só quer um pouco de bom senso e descanso e silencia para viver em paz.

 


Por outro lado, é importante considerar que a prática religiosa de "suplicar a Deus" também é um direito fundamental para muitos. No entanto, talvez fosse bom refletir um pouco sobre sua eficácia, a forma como essa comunicação é conduzida pode variar significativamente, principalmente o sentimento que é empregado. Neste sentido, acredita-se que a sinceridade e a pureza de intenção são mais importantes do que o volume ou a intensidade da voz. Supomos, neste contexto: Deus é surdo? Então, por que gritam? De fato, a paz interior e a serenidade são frequentemente valorizadas como condições ideais para a comunicação espiritual verdadeira e profunda com Deus, assim Jesus nos "extrui”:




No Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 5 a 15, conhecida como "O Sermão da Montanha", faz um adendo do modo operante da oração:

5. E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

6. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechada a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.

Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.

8. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

9. venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

10. o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

11. e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

12. e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.

13. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;

14. se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas."

Portanto, essa passagem enfatiza a sinceridade na oração, a importância de orar em privado, sem preocupação com a ostentação, e inclui o modelo de oração que ficou conhecido como "O Pai Nosso".





Portanto, é razoável supor que uma oração feita com serenidade e sinceridade possa ser mais receptiva aos ouvidos divinos do que uma oração permeada por emoções negativas, “grito tétrico”. Isso levanta a questão de se Deus necessita ser invocado com gritos e alaridos, ou se estaria mais propenso a ouvir uma oração calma, mas sincera, desprovida de raiva, rancor, lamuria na fala, como o próprio Jesus nos orienta em desacordo com o que era praticado, pelos Fariseus nas Sinagogas da época, e infelizmente por aprendizagem em “osmose” (sem reflexão) pastores e "ovelhas" espelham até os dias de hoje, talvez exista uma "ironia/tragédia" neste contra senso da ideia basilar dessa dita oração.  



Dessa forma, as práticas religiosas que envolvem excesso de barulho podem não apenas violar o Direito ao silêncio dos vizinhos, mas também levantar questões sobre a eficácia e a autenticidade da comunicação espiritual. Promover a compreensão mútua e o respeito pelos direitos e bem-estar de todos é essencial para construir comunidades harmoniosas e inclusivas, onde a diversidade de crenças e perspectivas seja valorizada. E como jesus ensinou na palavra de Mateus capítulo 6, versículos 5 a 15, uma oração silenciosa em seus aposentos, "vale mais" do que uma em pé gritando, apenas para ostentação como faziam os fariseus em sua época, repetido palavras vãs sem coração. Copiado, no que tudo indica, até os dias de hoje. 







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