Fundamentalismo: Domando as Massas de manobra - O Poder dos
Pastores na Manutenção do Controle.
O fundamentalismo, um
fenômeno que percorre a história da humanidade, revela-se como uma manifestação
de extrema rigidez ideológica, muitas vezes acompanhada de intolerância e até
violência contra aqueles que não compartilham das mesmas crenças. O termo "fundamentalismo"
tem suas raízes na virada do século XX, quando um grupo de cristãos
protestantes americanos se comprometeu a defender e propagar os princípios
fundamentais da fé, como a inerrância das Escrituras e a divindade de Jesus
Cristo. No entanto, ao longo dos anos, o termo passou a ser aplicado a uma
variedade de contextos religiosos e políticos em todo o mundo.
No contexto da igreja, o
fundamentalismo teve origens que remontam aos primórdios da fé cristã, por exemplo, inquisição, cruzadas, catequese, mas
ganhou nova dimensão nos tempos modernos. Atualmente, vemos a emergência de um
fundamentalismo religioso que se manifesta em várias denominações, inclusive na
nova igreja de ordem neo-pentecostal, onde conceitos como eugenia e
interpretações seletivas (enraizadas em fake news) da história são utilizados
para promover agendas políticas conservadoras. Líderes religiosos, muitas
vezes, se alinham com correntes políticas de direita, invocando a defesa dos
valores familiares para promover uma narrativa de exclusão e opressão contra
aqueles que não se enquadram em suas visões dogmáticas.
No Brasil, não é incomum
ver líderes religiosos e políticos defendendo abertamente a ditadura militar de
1964, glorificando-a como um período de ordem e progresso, enquanto ignoram ou
minimizam as violações de direitos humanos e as atrocidades cometidas durante
esse regime. Essa narrativa revisionista não apenas distorce a história, mas
também contribui para a perpetuação de um sistema de opressão e autoritarismo
que marginaliza qualquer forma de pensamento crítico ou divergente. Muitas
vezes, essas distorções são até contrárias à verdade, como confundir "humanismo"
com "comunismo", por exemplo, ao defender que todos têm direito a se alimentar e
que o Estado deve garantir esse direito; ou "libertinagem" com "liberdagem
de expressão", por exemplo, ao argumentar que tudo o que se diz não pode ser objeto de
processo e condenação, sob a alegação de que todos os direitos são absolutos e não relativos,
no entanto é salutar observar que o caso concreto norteia-se sempre no lúmen no
bom senso com o fiel e a "cegueira" da Iustitia.
Além disso, a disseminação
do fundamentalismo muitas vezes contribui para a normalização e aceitação de
práticas autoritárias, que apresentam a ditadura como a solução preferencial
para os desafios sociais e políticos. Sob a influência de líderes religiosos
fundamentalistas, a população é frequentemente induzida a acreditar que um
governo autoritário é a única maneira eficaz de manter a ordem social e moral,
enquanto protege os valores tradicionais. Essa retórica se manifesta na ideia
de que supostamente a esquerda destrói as escolas com valores "contra a
família", levando à proposta de uma "escola sem partido”. Essa
mentalidade cria uma aceitação passiva da violação dos direitos individuais e
das liberdades democráticas em nome da suposta estabilidade e segurança
proporcionada pela ditadura. Ao promover essa narrativa, os pastores e líderes
religiosos fundamentalistas desempenham um papel crucial na legitimação e
perpetuação de regimes autoritários, minando assim a resistência e a busca por
alternativas democráticas.
O culto ministrado no
medo, na culpa do pecado e na visão de um Deus punidor alimenta no
subconsciente coletivo a aceitação passiva do uso indiscriminado da força (ditadura)
em detrimento dos direitos individuais. Ao internalizar a ideia de um divino
que exige submissão e castigo, muitas pessoas se tornam suscetíveis à
manipulação por líderes religiosos ou políticos que se apresentam como
portadores da vontade divina. Essa mentalidade cria uma dinâmica em que a
obediência cega é valorizada em detrimento da autonomia e da justiça, com a
suposta aceitação de Deus manifestada na figura de algum messias terreno (teocracia).
No entanto, esse caminho de submissão e manipulação pode levar a um cenário
apocalíptico de dor, sofrimento e guerra, onde a humanidade paga o preço por
sua cegueira e falta de discernimento.
Portanto, o
fundamentalismo, seja na religião ou na política, representa uma ameaça à
liberdade individual, à diversidade de pensamento e à coexistência pacífica. Sendo
de suma importância resistir a essas tendências intolerantes e buscar uma
sociedade baseada no respeito mútuo, na justiça e na inclusão de todas as
vozes, independentemente de suas crenças ou ideologias, encontrando caminhos
que une valores e que edificam qualquer fé, como o amor presente em todas as
formas de religião.