O Caminho da Paz: Conflitos e Diálogo entre Judeus e
Muçulmanos e a “Pitada de Pimenta” dos Autodenominados Cristãos Protestantes!
Gabriel Rodriguez
O conflito contemporâneo entre judeus e
muçulmanos tem suas raízes na luta pelo controle de territórios sagrados e
politicamente significativos, especialmente na região da Palestina/Israel. A
fundação do Estado de Israel em 1948 e a subsequente resistência árabe à sua
existência têm alimentado décadas de hostilidades. Disputas territoriais,
identitárias e políticas têm sido exacerbadas por questões de segurança,
refugiados e recursos.
Tais indiferenças remontam a séculos de história e étnico-religiosa. Ambos os grupos compartilham raízes ancestrais em Abraão, o patriarca bíblico que é reverenciado tanto no Judaísmo quanto no Islã. Segundo as escrituras, Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael. Isaque é considerado o ancestral do povo judeu, enquanto Ismael é considerado o ancestral dos povos árabes ou/e muçulmanos. Essa origem comum deveria ser a base para uma narrativa de irmandade entre as duas tradições irmãs, embora os conflitos modernos muitas vezes obscureçam essas conexões histórica e familiar.
A relação entre cristãos protestantes e os
conflitos em Israel, incluindo a atual escalada de violência envolvendo o Hamas
e agora suposto envolvimento do Irã, é uma questão complexa que merece uma
análise cuidadosa. No entanto, alguns setores dentro do protestantismo Cristão
têm defendido a guerra em Israel como uma luta divina, uma visão que pode ser
traçada até interpretações literais do Antigo Testamento. Essa perspectiva
propõe que Israel esteja cumprindo um papel profético em um conflito contra
forças malignas e “terroristas” (em parte, tal termo é coerente em se tratando
do Hamas), alinhado com narrativas apocalípticas e escatológicas, fazem parte
do “bom dia” dos cristãos nos cultos e em casa, deveras.
No entanto, essa visão enfrenta diversos
problemas. Primeiramente, é importante notar que o Cristianismo e o Judaísmo
são tradições religiosas distintas, com diferentes crenças teológicas e
práticas religiosas, diversas, como foi retificado no texto intitulado A CRUZ, a estrela e a ESPADA a caminho .... A associação
entre o conflito em Israel e as profecias bíblicas ignora a separação clara
entre essas duas fés e pode resultar em uma visão simplista e equivocada/distorcida
da realidade.
Além disso, essa abordagem tende a enfatizar
passagens do Antigo Testamento sobre guerra e vingança, enquanto negligencia os
ensinamentos centrais do Novo Testamento, especialmente as mensagens de paz,
amor e perdão ensinadas por Jesus Cristo. Ao justificar a guerra como uma luta divina,
combate aos infiéis nesta forçosa associação do Deus de guerra do velho testamento
em sua idade antiga, algumas igrejas protestantes podem estar promovendo uma
visão distorcida da fé cristã, supostamente por "mera perversidade" e uso da fé burra que mantém "os cordeiros" na ignorância.
"Os pacíficos", segundo Jesus, são aqueles que
buscam a harmonia e a justiça, trabalhando para reconciliar diferenças e
promover um mundo mais justo e compassivo. A promessa de que eles
"herdarão a terra" pode ser entendida como “uma bênção” para aqueles
que escolhem o caminho da paz em vez da violência.
Nessa perspectiva, os seguidores de Jesus são
chamados a agir como "agentes de paz", buscando soluções pacíficas para conflitos
e apoiando a reconciliação entre grupos em conflito. No contexto do conflito
entre judeus e muçulmanos, essa visão desafia os cristãos a promoverem o
diálogo e a compreensão mútua, em vez de alimentar divisões e animosidades.
Todavia, uma prática frequentemente associada a
essa visão é a ênfase na instituição do "dízimo" conforme descrito no Antigo
Testamento, sobre os dízimos trato, de forma sucinta, em texto intitulado: A Criação da Pobreza no Cristianismo: Uma Análise Crítica a luz da razão. No entanto, a prática do dízimo não é enfatizada nos ensinamentos de
Jesus, que propõem uma abordagem mais livre e voluntária à doação, inclusive no
velho testamento era doado em comida, e servia para alimentar os órfãos, viúvas,
estrangeiros e a tribo de Levi que vivia no templo, não em tríplex a beira-mar a
custa do dinheiro do gás das ditas ovelhas. Pois bem, a manipulação dessas
doutrinas pode ser usada para reforçar a autoridade da igreja sobre os fiéis e
para manter o controle financeiro e social, aprisionado corpos, mentes e espíritos,
no medo, na culpa do pecado, na punição de Deus, e na obsessão do Diabo, tudo
em prol de manter esse sistema religioso de escravidão das almas.
Outrossim, a pregação da teologia do medo e da
culpa é outro aspecto preocupante dessa abordagem. Ao retratar o conflito como
uma batalha entre o bem e o mal, essas igrejas podem instigar um clima de medo
entre seus fiéis, incentivando a obediência cega às diretrizes da igreja. Esse
tipo de doutrina pode ter efeitos adversos na psique humana, levando a uma
visão polarizada do mundo e minando a capacidade de diálogo e reconciliação, apascentado no amor e paz de Jesus.
Em suma, a abordagem de alguns setores do
protestantismo religioso em relação ao conflito em Israel pode estar baseada em
interpretações seletivas e simplistas das escrituras, ignorando a complexidade
das questões envolvidas. Uma visão mais equilibrada e inclusiva das escrituras
poderia promover a paz e a compreensão entre os povos, em vez de fomentar
divisões e conflitos. Os cristãos devem buscar uma interpretação mais cuidadosa
e crítica dos textos sagrados, reconhecendo as nuances e diferenças entre as
tradições religiosas e trabalhando para construir pontes de entendimento, em
vez de muros de separação, ou seja, os cristãos devem e SER chamados a abraçar
esses valores e a trabalhar ativamente para construir pontes de entendimento
entre as diferentes comunidades religiosas.
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