sábado, 28 de dezembro de 2024

 




A Revolução da Consciência: Por que o "deus de Guerra" Deve Ser Deixado para Trás?

Gabriel Rodriguez

A visão de um "deus da Guerra", foi historicamente justificado como uma necessidade para a sobrevivência e proteção dos seres humanos nas diversas sociedades em suas épocas "mais primitivas", aonde a sobrevivência era difícil e a vida era banalizada, no entanto hoje, deve ser deixado para trás, ou seja, tal óptica  deve ser desmistificada e criticada atualmente no intuito de abandono futuro, no estopim de uma nova era. Essa concepção remonta a um tempo em que a compreensão do mundo era limitada e os homens se viam envolvidos em um "drama existencial e humano", e como sempre, "criando um deus" imagem e semelhança do homem em seu tempo/mundo na satisfação de suas necessidades mais instintivas, marcado pela brutalidade e pela força, e na ansiá da construção da cultura com a busca da dominação da natureza incompreendida: criou-se Deuses? Na antiguidade, a lei do talião do "olho por olho, dente por dente" refletia, esse mundo, da necessidade de um Deus que pudesse fortalecer indivíduos ainda rudes e agressivos, diante desse mundo complexo, e assim buscavam resolver suas disputas por meio da violência/sobrevivência em um mundo penoso e de pouca tecnologia e compreensão. Contudo, à medida que a humanidade evoluiu, especialmente com o estopim  durante o Renascimento Cultural e Cientifico, de bases antropocêntricas, essa acepção, de "deus da guerra", deveria ter sido relegada ao passado. Sendo, portanto, a perpetuação dessa ideia uma “abominação” que não faz mais sentido em uma sociedade dita evoluindo e que diz buscar a paz e a compreensão. Ressalta-se que países que sustentam a doutrina neste demiurgo, tende a possuírem os menores IDH (índices de desenvolvimento humano) e a compreensão, não reside em uma lógica religiosa. A esse respeito foi tratado no texto intitulado: A Criação da Pobreza no Cristianismo: Uma Análise Crítica a luz da razão.

A indústria de armas, ao longo da história, tem desempenhado um papel crucial na configuração das relações de poder e na dinâmica dos conflitos globais e na construção do espelho desse "deus da Guerra". Desde a Revolução Industrial, a produção de armamentos não apenas impulsionou economias, mas também moldou políticas externas e internas, frequentemente priorizando os interesses econômicos sobre as aspirações pacifistas das sociedades. A militarização das nações se torna um reflexo da busca por segurança e controle em um mundo marcado pela incerteza, levando à banalização da guerra como uma solução para disputas territoriais e ideológicas ao longo dos tempos. Essa dependência da força militar para resolver conflitos resulta em um ciclo vicioso, onde a paz é frequentemente sacrificada em nome da segurança/medo. Além disso, a normalização do comércio de armas gera uma cultura de violência que permeia as sociedades, desumanizando os indivíduos e transformando-os em meros instrumentos de uma máquina bélica. Nesse contexto, a reflexão crítica sobre a indústria de armas e esse demiurgo é essencial para repensar os valores democráticos e a responsabilidade coletiva em um mundo cada vez mais militarizado.



Hannah Arendt, em sua análise sobre a banalidade do mal, reflete sobre como a vida cotidiana e a conformidade social podem levar à aceitação de atrocidades sem questionamento. Ela argumenta que o mal se torna "banal" quando indivíduos comuns, desprovidos de pensamento crítico, cumprem ordens e seguem normas sociais sem considerar as implicações morais de suas ações.

A necessidade da morte desse "flamígerado deus da guerra" em suas narrativas e doutrinas religiosas reflete uma crítica contundente às concepções de divindade que legitimam a violência e a destruição, perpetuando conflitos entre os seres humanos até hoje, e quizá deveriam ser vistos como irmãos. Em diversas tradições religiosas, essa "figura", conceito, crença simboliza não apenas a força bruta, mas também um ideal que frequentemente justifica guerras e divisões. A eliminação desse suposto "deus" pode ser interpretada como um chamado à superação de valores bélicos e arcaicos, promovendo princípios mais elevados, como o amor ao próximo, a paz, a solidariedade e a fraternidade — valores que igualam todas as religiões e mitologias no rumo de um progresso da humanidade, ao encontro do homem-intregal-UNO. Apesar de suas diferenças litúrgicas e doutrinárias, muitas tradições religiosas compartilham esses valores fundamentais que buscam o bem supremo e a melhoria contínua da humanidade. Assim, a morte do "deus da guerra" representa uma transformação espiritual e ética necessária, neste novos tempos, enfatizando que as religiões devem ser instrumentos de promoção do bem-estar coletivo e da harmonia entre os povos.





Pois bem, a persistência do conceito de um "deus de Guerra", ou Demiurgo no tempo atual se manifesta em diversas tradições religiosas, onde a ideia de combate aos "infiéis" é glorificada, a uma "Guerra Santa", como se tais conceitos antagónicos, paradoxais e de "rima pobre" pudesse se unir/dialogar?! A jihad, por exemplo, é frequentemente interpretada como uma chamada à luta contra aqueles que não compartilham as mesmas opiniões. Esse conceito não é exclusivo do Islamismo; as Cruzadas e a Inquisição na tradição cristã também exemplificam essa mentalidade bélica de dominação e exploração, é está presente em 'quase' todas as religiões. Nos tempos contemporâneos, associar a guerra a Deus é uma contradição que desencadeia milhões de conflitos ao redor do mundo, principalmente os relacionados as religiões, alimentando a ideia de que o diferente deve ser visto como inimigo, introjetando no subconsciente coletivo (senso comum) tais comportamentos reflectidos nos mais diversos meios e formas, por exemplo, nos índices de crimes contra a vida e países com esse tipo de religiões é maior, advindo intrinsecamente de narrativas religiosas dogmatizadas que cega a compreensão humana no medo, culpa, ódio, raiva em prol da alienação religiosa, a serviço do Demiurgo e seu caos alicerçado no seu Ego. Essa perspectiva não apenas perpetua ciclos de violência, mas também impede o progresso humano na direção à convivência e no amor ao próximo.

Outrossim, na figura do "deus da Guerra", encontramos simbolismos de força, poder e domínio, frequentemente usados para justificar conflitos e imposições. No Brasil, um país laico que deveria garantir a convivência pacífica entre diferentes credos, religiões essa mentalidade beligerante se reflete nas invasões e depredações de templos de religiões de matriz africana, especialmente em favelas de Salvador e do Rio de Janeiro. Esses atos de intolerância religiosa não apenas violam os direitos garantidos pela Constituição, mas também atacam tradições que carregam a história e a identidade/memória afro-brasileira, uma imposição religiosas que remonta a "obrigação" paliativa do sincretismo, sim, de outrora, e que hoje se "esperançar". Essa "guerra" contra práticas religiosas específicas destaca a urgência de combater o ódio e de reafirmar os valores de respeito e pluralidade que devem guiar uma sociedade democrática em nome da "morte" desse "deus da guerra".



Por fim, a "morte" desses "deuses de guerra" não é apenas necessária, mas tornasse de suma importância para a evolução espiritual da humanidade. É crucial e urgente abandonar essa consciência que glorifica o conflito e promove divisões. Só assim poderemos construir um futuro onde as diferenças sejam celebradas e não temidas. A história nos mostrou que guerras em nome de Deus resultaram em tragédias imensuráveis em toda a história, direta ou indiretamente o "deus da guerra" se fez presente; é sabido, que se estuda história para não repetir os erros do passado, e que profecias (amargedom, Apocalipse, paraíso na Terra) é uma questão de escolha humana!? Portanto, é hora de reavaliar nossas opiniões e buscar novos paradigmas que priorizem o diálogo e a empatia, o covid-19, serviria para tanto? Se não fizermos isso, a tempo, corremos o risco de nos encontrarmos novamente à beira de outra grande guerra mundial, perpetuando o ciclo de destruição que já causou tanto sofrimento em nome desse tal "deusinho de Guerra" ou demiurgo!





Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o reino dos céus”. (Mateus 5:9-10)






sábado, 14 de dezembro de 2024

 

Da Vítima ao Vampiro Coletivo: Como a Narrativa do Sofrimento Perpetua a Inércia e o Controle Social no Brasil!



Gabriel Rodriguez

O vitimismo, a tendência de se apresentar como vítima de forma exagerada ou inapropriada para ganhar atenção e compaixão dos outros, muito utilizado por narcisistas, além de ser um reflexo de uma mentalidade de dependência, unidos-se  ao vampirismo coletivo na construção do subconsciente coletivo da sociedade brasileira revelando um panorama complexo e interligado que remete à própria ideia de colônia de exploração que “fomos/somos”. Essas dinâmicas evidenciam como as narrativas de "vítimas" são manipuladas por diversos agentes sociais. A utilização da condição de vítima, longe de ser uma mera questão de "empatia", frequentemente se transforma em uma ferramenta de controle social e manipulação política, perpetuando a inércia e a dependência tanto de indivíduos quanto de instituições.


Já o vampirismo coletivo possui duas acepções importantes. A primeira é um fenômeno social que se refere à exploração do sofrimento e das vulnerabilidades alheias por diversos agentes, como políticos, religiosos e midiáticos, que se beneficiam da condição de vítima dos cidadãos para promover suas próprias agendas e interesses pessoais. A segunda acepção, mas de nível psicológico e espiritual, está relacionada a um movimento energético em que aqueles que se colocam na posição de vítimas drenam a energia emocional de seus interlocutores ao evocarem compaixão e tristeza, criando um ciclo coletivo e social doentio. Essa dinâmica, na primeira acepção, se entrelaça com o vitimismo, que vai além da simples empatia pela dor dos outros, estabelecendo-se na cultura brasileira e frequentemente alimentada por discursos que enfatizam a fragilidade do indivíduo diante das adversidades sociais. Em vez de encorajar a superação, essa narrativa pode reforçar a inércia e a dependência, dificultando a percepção do potencial transformador que cada pessoa possui. Portanto, é crucial promover uma visão mais empoderadora que incentive tanto a ação individual quanto a coletiva, permitindo que as pessoas se vejam como agentes de mudança em suas próprias vidas, haja visto como os países ditos ricos agem.


Essa mentalidade coletiva cria um comportamento inerte, onde o indivíduo se percebe incapaz de mudar sua realidade, menores, buscando soluções externas para problemas que poderiam ser enfrentados com autonomia e iniciativa própria. Ao adotar essa posição de vitimização, a pessoa abdica de sua capacidade de agir e transformar sua vida, transferindo a responsabilidade para fatores externos como Deus, Diabo, destino, Estado, pai, mãe, etc. Essa dinâmica não apenas enfraquece o indivíduo em seu poder de potência, mas também perpetua um ciclo de dependência e impotência, onde a busca por ajuda se torna uma forma de passividade, um verdadeiro problema de saúde coletiva. Assim, o vitimismo se transforma em uma armadilha que limita o potencial humano e impede o desenvolvimento de uma cultura de empoderamento e mudança social.


Neste sentido, os diferentes agentes sociais — políticos, religiosos e mídia — exploram a condição de vítima dos outros para promover suas próprias agendas e perpetuar a alienação da massa, manifestando um vampirismo coletivo que cria narrativas que aparentam oferecer ajuda, mas que na verdade mantêm o “status quo” e a estrutura de poder. Essa dinâmica é sustentada por uma elite econômica que manipula as percepções e necessidades da população, garantindo sua posição privilegiada. As soluções propostas são frequentemente “paliativas”, aliviando momentaneamente a dor sem abordar as causas estruturais da desigualdade e da violência (sem mobilidade social de fato), o que desvia a atenção das verdadeiras questões sociais e reforça a ideia de que as vítimas são incapazes de se autoajudar. Assim, perpetua-se uma visão preconceituosa que limita o potencial humano, resultando em um ciclo vicioso de dependência e impotência, onde o verdadeiro empoderamento e a ação coletiva são sufocados, impedindo o surgimento de uma consciência crítica capaz de desafiar as estruturas de poder existentes.



A relação entre a igreja, o Estado e a mídia na manutenção do vampirismo coletivo e do controle social é fundamental para entender como a ideia de vitimização perpetua a pobreza e a fragilidade nas populações. A igreja frequentemente assume o papel de salvadora, oferecendo consolo e assistência, mas sem questionar as estruturas que geram pobreza e exclusão: o capital. Essa postura reforça a dependência dos indivíduos em relação à instituição, mantendo-os em uma posição de vulnerabilidade, onde o sofrimento é explorado para legitimar sua atuação. O Estado utiliza a vitimização como justificativa para implementar políticas que não abordam os problemas fundamentais da sociedade, criando uma fachada paliativa de ação enquanto ignora as causas estruturais da desigualdade, exploram no medo e na culpa seus miseria salárial. Essa estratégia é empregada para manter o controle social e garantir a manutenção do poder, transformando as vítimas em massa de manobra durante períodos eleitorais.



Outrossim, a mídia desempenha um papel crucial ao amplificar narrativas que enfatizam a gravidade das condições sociais, fazendo com que as pessoas se sintam ainda mais como vítimas de suas circunstâncias, em sua duradora paranoia intencional de caos constante. Essa abordagem reforça uma percepção de impotência e fragilidade entre as populações vulneráveis, desviando a atenção das verdadeiras causas da desigualdade, a mais valia. Ao criar um ambiente onde as pessoas se tornam dependentes e não livre e cheias de medo. Essa dinâmica não contribui para a formação de uma sociedade rica e produtiva, mas sim para a perpetuação de indivíduos que não se veem como agentes de mudança e sim dependentes.



Assim, a intersecção entre esses três agentes — Igreja, Estado e Mídia — não apenas sustenta a estrutura de poder existente, mas também perpetua um ciclo vicioso de dependência e impotência que inibe o surgimento de uma consciência crítica capaz de desafiar as injustiças sociais. Ao explorar o sofrimento e a fragilidade das populações vulneráveis, esses agentes garantem que as questões sociais mais profundas permaneçam sem solução, utilizando-as como massa de manobra para angariar apoio político, religiosos e midiáticos em manter seu domínio sobre a sociedade.



Então, adotar uma perspectiva que trata todos como vítimas devido a fatores sociais pode ser prejudicial e Infrutífero. Embora seja fundamental reconhecer as injustiças históricas e estruturais enfrentadas por muitos grupos no Brasil — como negros, mulheres e populações indígenas — essa abordagem pode obscurecer a capacidade desses indivíduos de se tornarem agentes de mudança em suas próprias vidas. A ênfase excessiva na vitimização não apenas reforça uma narrativa de impotência, mas também pode levar à aceitação passiva das condições adversas, desestimulando iniciativas pessoais e coletivas que buscam transformação social. Essa visão limitada impede que as pessoas reconheçam seu potencial para agir e inovar, perpetuando um ciclo de dependência que desvaloriza suas capacidades e contribuições. Para promover uma sociedade mais justa e equitativa e prospera, é crucial fomentar uma cultura que valorize a autonomia e a resiliência, encorajando todos a se verem como protagonistas de suas histórias e agentes ativos na construção de um futuro melhor.



Em suma, a construção da sociedade brasileira através do vitimismo e do vampirismo coletivo revela uma dinâmica complexa onde as vítimas são frequentemente utilizadas como peças em um jogo político maior. Para avançar em direção a uma sociedade mais justa e equitativa, é necessário reverter essa lógica e valorizar o potencial transformador dos indivíduos dentro do tecido social.





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