sábado, 22 de junho de 2024

 

Mais uma da série valores nacionais, vamos juntos descobrir o Brasil : 

Abafa-banca: Criatividade Disruptiva no encontro do Nacionalismo no Empreendedorismo Baiano dos Anos 90.



Gabriel Rodriguez

O termo "abafa-banca" remonta às transformações sociais e econômicas vividas pela Bahia na década de 90. Naquela época, os trabalhadores do setor petroquímico, especialmente os petroleiros, começaram a ter acesso a eletrodomésticos como as geladeiras, que se tornaram um símbolo de ascensão social. Entretanto, a crise econômica, a tal inflação do petróleo que se seguiu forçou muitos desses trabalhadores a buscar fontes alternativas de renda. Como “possuíam geladeiras”, muitos deles entraram no "pequeno empreendedorismo", fabricando e vendendo "abafa-banca" — um tipo de picolés caseiros produzidos colocando suco de frutas em formas de gelo e vendidos após gelar em copos descartáveis. O termo no “baianês clássico” que dizer, “abafar” (reduzir, minorar) a “banca” (se achava melhor porque tinha geladeira, neste contexto).  Portanto o “abafa-banca” foi uma forma de conseguir pagar a geladeira ou ajudar nas despesas de casa, uma vez que muitos ficaram desempregados com a crise. Essa prática foi imortalizada na canção do compositor baiano Gerônimo, que capturou esse momento de inovação e criatividade em uma época de grandes mudanças, conhecida como: “Gerônimo - Abafabanca”. https://www.youtube.com/watch?v=igqmqTcmJ3o. 



Em suma, o abafa-banca é uma espécie de picolé artesanal, produzido em formas de gelo domésticas e vendido de maneira informal. Os ingredientes são simples e acessíveis: água, açúcar, suco de frutas ou essências artificiais, e, em alguns casos, leite condensado ou leite de coco para versões mais elaboradas. Esse produto caseiro é uma representação da criatividade popular e da capacidade de transformação das comunidades, que, com recursos limitados, criam soluções econômicas inovadoras e sustentáveis.



O surgimento do abafa-banca é um exemplo claro da criatividade disruptiva do brasileiro. Em um cenário de dificuldades econômicas e escassez de oportunidades formais de emprego, os petroleiros baianos encontraram uma maneira de complementar sua renda. O abafa-banca não só proporcionou um meio de sustento, mas também refletiu a capacidade dos indivíduos de transformar desafios em oportunidades. Essa criatividade é intrínseca à cultura brasileira, onde a adversidade frequentemente é o motor de inovações engenhosas e práticas.

                                                                     Espetáculo 'Abafabanca': em https://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/08/espetaculo-abafabanca-e-encenado-no-teatro-isba-em-salvador.html


Além disso, o abafa-banca representa uma forma de empreendedorismo emancipatório. Sem acesso aos recursos e estruturas formais de negócios, esses trabalhadores criaram um produto que atendia às necessidades de suas comunidades. Eles estabeleceram um microcosmo econômico, onde a produção e o consumo estavam intimamente ligados ao cotidiano local, mostrando como o empreendedorismo pode surgir de forma orgânica e sustentável.



O abafa-banca é um exemplo do espírito nacionalista que deve ser exaltado. Ele demonstra como a cultura e a criatividade brasileira são fontes de inovação e resistência. Em tempos de globalização e competição econômica acirrada, é essencial reconhecer e valorizar essas formas de empreendedorismo local, que são fundamentais para a identidade e a economia nacionais.

Escrever sobre o abafa-banca é celebrar a capacidade do povo brasileiro de se adaptar e inovar frente às adversidades. É reconhecer a importância de políticas que apoiem e incentivem o microempreendedorismo e as iniciativas locais, garantindo que essas formas de criatividade continuem a florescer. Portanto, é de suma importância promover e contar essas histórias, pois elas são a verdadeira essência da resiliência e do espírito inovador do Brasil.



O abafa-banca é mais do que um simples picolé artesanal; ele é um símbolo potente da engenhosidade e da capacidade de superação do povo brasileiro. Em um período de dificuldades econômicas e de transformações sociais, esse pequeno produto emergiu como uma solução criativa e acessível, destacando a resiliência e a inventividade dos petroleiros baianos.

Essa prática ilustra a criatividade disruptiva e o empreendedorismo emancipatório típicos do Brasil, onde, mesmo com recursos limitados, surgem soluções inovadoras que impactam positivamente as comunidades. Ao celebrar o abafa-banca, celebramos também a cultura e o espírito nacionalista que valorizam o potencial humano e a capacidade de adaptação, dessa mistura surgiu algo inédito.  Mais uma delicia nossa de cada dia ... 



Portanto, é essencial continuar contando essas histórias do nosso povo, promovendo o reconhecimento e o apoio a iniciativas locais que refletem a verdadeira essência do povo brasileiro. É através dessas narrativas de superação e criatividade que podemos construir um futuro mais inclusivo e próspero, onde a inovação e a resiliência são à base do desenvolvimento nacional. Ao honrar essas tradições, fortalecemos nossa identidade e inspiramos novas gerações a seguir o exemplo daqueles que transformam desafios em oportunidades. Coisa de brasileiro!




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