Escolha
um: pecado original ou libertação do cativeiro do pecado?
Gabriel
Rodriguez
No
relato do pecado original e da árvore do bem e do mal, presente na tradição
religiosa cristã, está presente, na minha humilde reflexão, uma das mais intrigantes
passagens bíblicas para racionalidade humana. Nessa perspectiva, talvez, exista uma interpretação que
sugere uma libertação do homem através do conhecimento adquirido, e não uma punição
a todos imposta, por tal pecado, estaria nas entrelinhas das histórias que as
interpretações do senso comum religioso fez questão de apagar. Portanto, no primeiro ato de
desobediência civil de Adão e Eva ao comerem do tal fruto proibido (maça) trouxe
consigo a capacidade de pensar por si mesmos e, consequentemente, uma pena, por
“deixar de ser cordeirinho”.
Neste
sentido, no momento em que Adão e Eva provaram do fruto proibido, suas mentes
foram despertadas para uma compreensão mais profunda do ser, libertos para
ciência, para serem “deusinhos”, ou seja, criadores de seu mundo, produtores da cultura, e
de sua realidade, recriando, construindo, ou seja, foi dando-lhes a capacidade
de discernir entre o bem e o mal, por si só! Essa aquisição de conhecimento permitiu-lhes ver
além das limitações pré-estabelecidas (de cordeirinho) e começar a pensar de
forma independente, fora da caverna (do Platão) ou do Matrix, ou ainda do sistema religioso
que aprisionam no medo, no pecado, e na culpa.
Neste sentido a serpente atribuída a um ser perverso e cruel no consciente coletivo (fez com que exterminamos o animal serpenteantes ou cobra no mundo), e até associado em um hermenêutica vulgar ao Diabo e/ou a Lúcifer. Bom ressalvar, que para os seguidores desses seres, não estou atribuído juízo de valor, o Diabo séria bom, claro se atribuir a serpente o mesmo papel do Diabo e/ou Lúcifer, pois libertará, para estes seguidores, o homem para pensar por si só, entre o bem e o mal, e traçar seu destino (deusinhos).
Permita
uma hermenêutica extensiva, em sede de analogia, a individualização da pena é um princípio fundamental do direito
penal e o principio da personalidade preconiza que somente o condenado, e mais
ninguém, poderá responder pelo fato praticado, pois a pena não pode passar da
pessoa do condenado, neste sentido o pecado original é uma deturpação a tais princípios, ou seja, o nosso código Penal retifica ao afirmar que cada pessoa é responsabilizada
pelos seus próprios atos, portanto a narrativa do pecado original pode ser
interpretada a partir desses conceitos, acredito que numa ótica rudimentar de
uma noção equivocado de uma ciência ainda incipiente o pecado original foi
aceito, entretanto a partir destes dois conceitos pode-se inferir que não é
sensato pagar pelos pecados dos meus pais (Adão e Eva), coisa comum nas pregações
irracionais ou escusas na maioria das igrejas, para introduzir o medo e reduzir
o humano à cousa de um Deus antropomórfico e “seus caprichos” humanos.
Pois bem, para essa corrente de pensamento há uma Herança do pecado, ou seja, o tal pecado original foi transmitido a toda a descendência de Adão e Eva, ou seja, a todos os seres humanos. Assim, cada pessoa nasce com uma natureza humana afetada pelo pecado e inclinada ao mal. Um “peso” para todos aqueles que acreditam nesta base teológica como real, pois reduzem as potencialidades humanas, tornando propensa ao cometer mais pecados, crimes, maldades. Uma predisposição clara da/para maldade humana. Logo uma doutrina perversa que foi criada nos primórdios da igreja, em seu concilio de Nicéia para domesticar instintos, plantar medo e a culpa, alienar, reduzir as capacidades humanas, dominar as mentes e manter o “status quo” da igreja e de quem dela se servia.
Como
posso pagar por um pecado que nem fui eu que cometi e que quem cometeu já pagou
suas duras penas? Expulsão do Jardim do Éden; consciência do pecado e da
vergonha; mortalidade; sofrimento e trabalho árduo; necessidade
de redenção; “herança do pecado”. Pensando nesta nova ótica
racional, estamos diante de um fato consumado e inclusive como foi demonstrado,
já foram punidos, transitado e julgado, já virou coisa material, sendo um
sadismo me punir por tal feito. Por fim, É evoluindo e saudável (não carregarei
um pecado no meu subconsciente a “unum aeternum” (a de eterno), um culpa que
não foi minha). Por fim, talvez, seja bom pensar e inquirir que o princípio da
individualização da pena cominado com o principio da pessoalidade nos confirma
que cada ser deve responder pelas próprias escolhas e ações, ou seja, tal doutrina
nos conduz a responsabilização por nossos comportamentos e atitudes, não
atribuindo ao algo externo ou carregando um peso tão grande dentro de nós, de
um pecado que nem meu foi. Portanto, "nego veementemente tal pecado, não sou culpado por
tal feito!"
É
interessante destacar a passagem bíblica em que Jesus faz referência à
divindade interior do ser humano, demonstração que não estamos em pecado. No
livro de João 10:34-35, Jesus diz: "Não está escrito na vossa lei: Eu
disse: Sois deuses?(...)”. Neste sentido é possível compreender que o alimentar
do fruto proibido (ou pecado original) nos tornou “deusinhos”, criados da nossa
realidade, logo se continuasse no Jardim do Éden seriamos apenas servos (cordeirinho).
Para tanto, devemos nos educar das nossas capacidades, habilidades e transformar
o mundo para melhor, era o que Jesus esperava da humanidade e não mais guerra ...
Além
disso, Jesus também disse: "Se der ordem àquela montanha (...)”, uma clara
referencia as potencialidades espirituais e adormecidas pela religião da época
ainda ignorante que colocava um Deus antropomórfico, fora do homem. Ainda, em
outra parte do evangelho, Jesus afirma: “(...) eu nada faço, é Deus no meu
interior". Talvez, essa afirmação nos lembra de que, ao compreender nossa
natureza divina, temos o poder de manifestar nossa vontade e transformar a
realidade ao nosso redor (deusinhos). Em outro passagem bíblica controvertida
nos dias atuais é afirmativa de Jesus: “O templo de Deus está dentro de nós”, então,
está claro que é nesse espaço sagrado interno (cálice divido) que encontramos a
sabedoria, conexão e a orientação para trilhar nosso caminho e não em templos de "concreto feitos" por mãos humanas, melhor seria contemplar as riquezas de suas criações de Deus: natureza.
Essas palavras de Jesus convidam a uma reflexão profunda sobre a natureza divina que reside em cada indivíduo. Ele nos lembra de que somos portadores de uma centelha divina, uma essência sagrada que nos conecta a divindade, não pecadores, pagando algo eternamente, “homem é mal desde sua meninice”. "Certamente tenho sido pecador desde que nasci, pecador desde que me concebeu minha mãe." (Salmos 51:5); Romanos 3:23: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus".
Partindo desde conceitos dos poderes latentes das potencialidades humanas, na história do pecado original é percebível que mesmo envolto em dogmatismo, doutrinação, liturgia, há diversas dialéticas e históricas entre o Antropocentrismo teocêntrico (homem no centro) e o Teocentrismo antropocêntrico (Deus no centro), existindo uma vontade inerente de Deus (EU SOU) de se conciliar com o homem e vice-versa. E não seriam o pecado, a culpa e o medo, criações humanas e que refletem a metodologia de uma pedagogia tradicional, lamentável em sua manifestação na Terra em momentos iniciais e rudimentares que liberaria o homem? Então, afastaram-se a ciência do divino, do espiritual, e apartamos o evolucionismo do criacionismo, por pura perversão e interesse pessoais, na dúvida da teogonia.
Hoje, caminhamos a passos largos para o processo evolutivo e histórico, um novo ser humano surge, crianças índigos e cristais, e em meio a um caos vira a ordem, terremotos tomaram a Terra, mas viva de amor, o eixo desta está sendo modificadas, ondas viram sobre a ignorância e soberba humana, alguns dirão o fim ou o começo das dores (Apocalipse), entretanto outros dirão, apenas o começo. Então em meio as cinzas, uma new Age, um mundo de regeneração, o novo aion, ou seja, um novo tempo é anunciado: pátria do evangelho coração do mundo. A humanidade num movimento ‘antrogeopocêntrico’ (neologismo), com a divindade (dentro do homem), neste estopim a ciência caminha para junto da teologia, dando novos conceitos e significados na busca de seres humanos melhores: parapsicologia, mediunidade, física quântica e outros, na construção do “homem uno-integral” ( neologismo).
Portanto,
a narrativa do pecado original e da árvore do bem e do mal pode ser
interpretada como um marco que libertou o homem para pensar por si mesmo,
assumindo a responsabilidade por suas escolhas e ações individuais. A
individualização da pena e da pessoalidade, como princípio do direito penal,
reflete essa noção de justiça, em que cada um é punido de acordo com suas
próprias transgressões, nos conduzindo a uma reflexão da nossa natureza divina,
saliento dentro de nós, pois o templo está ai dentro, não existe nada fora (no
mundo), que seja boa, que não consigas cultivar dentro primeiro, neste
movimento introspectivo a evolução em forma de flor nasce em bons campos de
orvalho do amor...
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