terça-feira, 20 de junho de 2023

 

Limitantes da vida: karma e dkarma !?

Gabriel Rodriguez

O conceito de Karma é amplamente conhecido nas tradições espirituais da Índia, presente no hinduísmo, budismo e jainismo, sendo um dos mais complexos e intrigantes, no senso comum esse conceito são empregados de forma errônea: “é seu carma!” (na acepção de uma predestinação divina de sofrer). Essa interpretação um pouco ignorante reduzi as capacidades humanas, levando aceitação do sofrimento.



No entanto o termo tem outras conotações quando analisando com mais critérios, para o hinduísmo, por exemplo, o Karma é visto como uma lei cósmica que governa as consequências das ações humanas ao longo de várias vidas. A acumulação de Karma molda o destino de uma pessoa, e o objetivo é acumular Karma positivo através de boas ações, visando à libertação do ciclo de renascimentos, conhecida como moksha. Esse conceito é limita a humanidade, caso o conceito do dkarma não gere as consequências dos atos e um convite a uma prática assertiva. O dKarma, por sua vez, refere-se às ações executadas com desapego aos resultados, realizadas com uma mentalidade de serviço desinteressado, buscando transcender o ciclo kármico.

Já para o budismo, o Karma é compreendido como uma lei de causa e efeito, mas não enfatiza a ideia de vidas passadas. O foco está no presente e nas escolhas feitas no momento atual. O objetivo é transcender o ciclo do renascimento e alcançar o Nirvana, um estado de libertação do sofrimento. No contexto budista, o dKarma é a prática do caminho óctuplo, que inclui ações virtuosas, meditação e desenvolvimento de sabedoria para alcançar a libertação.



Outra religião e o jainismo, para essa o Karma é entendido como uma forma de matéria sutil que se acumula nas almas devido às ações realizadas. As ações afetam diretamente a alma, determinando a qualidade de vida e experiências futuras. O objetivo do jainismo é se livrar do Karma acumulado e alcançar a liberação espiritual, conhecida como moksha. O dKarma é visto como ações realizadas com pureza de intenção, não causando danos a outros seres vivos, e leva à redução e purificação do Karma.

Em suma, as religiões compartilhem a noção de que as ações têm consequências, a interpretação específica e as práticas associadas ao Karma e dKarma podem variar de acordo com cada religião, entretanto guarda o núcleo formador: o Karma sendo o que trazemos de outra vidas, ou seja, uma predestinação divina, um determinismo na maioria das vezes de formação negativa, já o outro conceito, o de dkarma, uma clara associação com o  plantar e colher na bíblia, o livre arbítrio. Em outras palavras, o Karma geralmente refere-se a ações que criam vínculos e perpetuam o ciclo de renascimentos, enquanto o dKarma está associado a ações desinteressadas, desapegadas dos resultados, que podem levar à libertação espiritual, esse conceito de dkarma cria outros entorno ao primeiro conceito dando significado mais ativo ao homem e suas ações.

Ainda é possível analisar que o conceito de Karma implica que todas as ações humanas têm consequências, seja nesta vida ou em vidas futuras. A ideia central é que as ações morais e imorais de uma pessoa determinam seu destino e condições futuras. Por exemplo, se alguém pratica ações positivas, como ajudar os outros ou demonstrar compaixão, espera-se que experiência resultados positivos no futuro. Por outro lado, se alguém pratica ações negativas, como prejudicar os outros ou agir de forma egoísta, espera-se que enfrente consequências negativas.

Neste contexto é bom refletir que na prática, o conceito de Karma pode ser entendido como carregar um peso ou uma obrigação. As ações passadas criam um vínculo que nos conecta a certos resultados e situações, limitando nossa liberdade de escolha, escravizando as almas. Isso pode levar a uma sensação de inércia, em que as pessoas se sentem presas em ciclos repetitivos de causa e efeito.

Além disso, a doutrina do Karma também pode levar a uma aceitação passiva do sofrimento. Argumenta-se que todos nasceram para serem felizes, mas, devido às ações passadas, pode estar sujeitos a circunstâncias difíceis na vida presente, pela simples aceitação deste conceito em vida, uma assimilação introjetada no subconsciente dos que acreditam nestes conceitos. Essa noção pode criar a crença de que o sofrimento é inevitável e deve ser aceito como parte integrante da existência.

Um exemplo clássico da aplicação do conceito de Karma é encontrado no sistema de castas na Índia. De acordo com essa estrutura social, o Karma de uma pessoa em uma vida passada determina sua posição na hierarquia social na vida atual. Aqueles que pertencem às castas mais baixas são considerados como tendo um Karma negativo, enquanto aqueles das castas mais altas são vistos como tendo um Karma positivo. Essa perspectiva pode levar à discriminação e à perpetuação de desigualdades sociais, já que os indivíduos são condicionados a aceitar sua posição atual como resultado de suas ações passadas.

Assim, é possível vislumbrar que o conceito de Karma implica que todas as ações humanas têm consequências, seja nesta vida ou em vidas futuras. A ideia central é que as ações morais e imorais de uma pessoa determinam seu destino e condições futuras. Por exemplo, se alguém pratica ações positivas, como ajudar os outros ou demonstrar compaixão, espera-se que experiência resultados positivos no futuro. Por outro lado, se alguém pratica ações negativas, como prejudicar os outros ou agir de forma egoísta, espera-se que enfrente consequências negativas.

Por fim, bom ressalvar que o conceito de Karma possa oferecer uma explicação para as consequências das ações humanas, também é importante questionar suas implicações. A ênfase no Karma pode levar a uma visão fatalista da vida, onde as pessoas acreditam que são impotentes diante de seu destino e devem aceitar o sofrimento como algo inevitável. Isso pode reduzir a capacidade humana de buscar mudanças e buscar uma vida melhor para si e para os outros.

Para tanto é crucial encontrar um equilíbrio entre aceitar as consequências de nossas ações e buscar ativamente a transformação e o crescimento pessoal. Em vez de se conformar com a ideia de que estamos presos em um ciclo kármico, podemos nos esforçar para tomar decisões conscientes, buscar o autodesenvolvimento e trabalhar para criar um mundo mais justo e compassivo. Assim, podemos transcender as limitações impostas pelo conceito de Karma e buscar uma vida plena e significativa.

 


 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

NÃO EXISTE PECADO!?


No relato do pecado original,

Uma passagem intrigante para a racionalidade humana,

Uma reflexão humilde, além do convencional,

Uma visão que se desentranha.






No fruto proibido, o despertar da mente,

Adão e Eva rompendo com as amarras,

Uma libertação, um conhecimento latente,

Pensar por si mesmos, além das velhas sanções.






A serpente, símbolo de perversidade,

Associada ao Diabo  é um erro interpretado,

Mas talvez, uma chave para a liberdade,

Pensar entre o bem e o mal, um caminho a conquistar.






A individualização da pena, um princípio a considerar,

Cada um responsável por seus próprios atos,

Pagar pelos pecados dos pais, sempre negar,

Não carregar um fardo que não é exato.




Herança do pecado, um peso sobre o ser,

Uma doutrina que limita as potencialidades,

Reduz a humanidade, fazendo-a sofrer,

Uma visão deturpada de nossas verdadeiras identidades: de "deus".





Mas Jesus nos diz, somos "deuses" em essência,

Uma divindade interior que deve ser despertada,

Manifestar nossa vontade com consciência,

Transformar a realidade, nossa jornada.





Entre o Antropocentrismo e o Geocentrismo,

Duas correntes, o homem e Deus no centro,

Um equilíbrio a ser encontrado, um sincretismo,

Valorizando o humano e o divino, esse encontro.





Uno, integral, o homem em sua plenitude,

Conectado à divindade que em si habita,

Ciência e teologia em busca de amplitude,

A construção de um ser melhor, uma meta infinita.





No templo interno encontramos a sabedoria,

Não atribuir fatalidades a punições divinas,

Assumir nossa responsabilidade, uma escolha sábia,

Caminhar em busca de uma vida plena e genuína.


Assim, o pecado original, uma lição a compreender,

Um marco de libertação e responsabilidade a saber,

Não carregar fardos que não são nossos, podemos aprender,

Cultivar a divindade em nós, com amor a perceber.




 

Escolha um: pecado original ou libertação do cativeiro do pecado?



Gabriel Rodriguez

No relato do pecado original e da árvore do bem e do mal, presente na tradição religiosa cristã, está presente, na minha humilde reflexão, uma das mais intrigantes passagens bíblicas para racionalidade humana. Nessa perspectiva, talvez, exista uma interpretação que sugere uma libertação do homem através do conhecimento adquirido, e não uma punição a todos imposta, por tal pecado, estaria nas entrelinhas das histórias que as interpretações do senso comum religioso fez questão de apagar. Portanto, no primeiro ato de desobediência civil de Adão e Eva ao comerem do tal fruto proibido (maça) trouxe consigo a capacidade de pensar por si mesmos e, consequentemente, uma pena, por “deixar de ser cordeirinho”.

Neste sentido, no momento em que Adão e Eva provaram do fruto proibido, suas mentes foram despertadas para uma compreensão mais profunda do ser, libertos para ciência, para serem “deusinhos”, ou seja, criadores de seu mundo, produtores da cultura, e de sua realidade, recriando, construindo, ou seja, foi dando-lhes a capacidade de discernir entre o bem e o mal, por si só! Essa aquisição de conhecimento permitiu-lhes ver além das limitações pré-estabelecidas (de cordeirinho) e começar a pensar de forma independente, fora da caverna (do Platão) ou do Matrix, ou ainda do sistema religioso que aprisionam no medo, no pecado, e na culpa.

Neste sentido a serpente atribuída a um ser perverso e cruel no consciente coletivo (fez com que exterminamos o animal serpenteantes ou cobra no mundo), e até associado em um hermenêutica vulgar  ao Diabo e/ou a Lúcifer. Bom ressalvar,  que para os seguidores desses seres, não estou atribuído juízo de valor, o Diabo séria bom, claro se atribuir a serpente o mesmo papel do Diabo e/ou Lúcifer, pois libertará, para estes seguidores, o homem para pensar por si só, entre o bem e o mal, e traçar seu destino (deusinhos).     


    

Permita uma hermenêutica extensiva, em sede de analogia, a individualização da pena é um princípio fundamental do direito penal e o principio da personalidade preconiza que somente o condenado, e mais ninguém, poderá responder pelo fato praticado, pois a pena não pode passar da pessoa do condenado, neste sentido o pecado original é uma deturpação a tais princípios, ou seja, o nosso código Penal retifica ao afirmar que cada pessoa é responsabilizada pelos seus próprios atos, portanto a narrativa do pecado original pode ser interpretada a partir desses conceitos, acredito que numa ótica rudimentar de uma noção equivocado de uma ciência ainda incipiente o pecado original foi aceito, entretanto a partir destes dois conceitos pode-se inferir que não é sensato pagar pelos pecados dos meus pais (Adão e Eva), coisa comum nas pregações irracionais ou escusas na maioria das igrejas, para introduzir o medo e reduzir o humano à cousa de um Deus antropomórfico e “seus caprichos” humanos.

Pois bem, para essa corrente de pensamento há uma Herança do pecado, ou seja, o tal pecado original foi transmitido a toda a descendência de Adão e Eva, ou seja, a todos os seres humanos. Assim, cada pessoa nasce com uma natureza humana afetada pelo pecado e inclinada ao mal. Um “peso” para todos aqueles que acreditam nesta base teológica como real, pois reduzem as potencialidades humanas, tornando propensa ao cometer mais pecados, crimes, maldades. Uma predisposição clara  da/para maldade humana. Logo uma doutrina perversa que foi criada nos primórdios da igreja, em seu concilio de Nicéia para domesticar instintos, plantar medo e a culpa, alienar, reduzir as capacidades humanas, dominar as mentes e manter o “status quo” da igreja e de quem dela se servia.


   

Como posso pagar por um pecado que nem fui eu que cometi e que quem cometeu já pagou suas duras penas? Expulsão do Jardim do Éden; consciência do pecado e da vergonha; mortalidade; sofrimento e trabalho árduo; necessidade de redenção;herança do pecado”. Pensando nesta nova ótica racional, estamos diante de um fato consumado e inclusive como foi demonstrado, já foram punidos, transitado e julgado, já virou coisa material, sendo um sadismo me punir por tal feito. Por fim, É evoluindo e saudável (não carregarei um pecado no meu subconsciente a “unum aeternum” (a de eterno), um culpa que não foi minha). Por fim, talvez, seja bom pensar e inquirir que o princípio da individualização da pena cominado com o principio da pessoalidade nos confirma que cada ser deve responder pelas próprias escolhas e ações, ou seja, tal doutrina nos conduz a responsabilização por nossos comportamentos e atitudes, não atribuindo ao algo externo ou carregando um peso tão grande dentro de nós, de um pecado que nem meu foi. Portanto,  "nego veementemente tal pecado, não sou culpado por tal feito!"   

É interessante destacar a passagem bíblica em que Jesus faz referência à divindade interior do ser humano, demonstração que não estamos em pecado. No livro de João 10:34-35, Jesus diz: "Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?(...)”. Neste sentido é possível compreender que o alimentar do fruto proibido (ou pecado original) nos tornou “deusinhos”, criados da nossa realidade, logo se continuasse no Jardim do Éden seriamos apenas servos (cordeirinho). Para tanto, devemos nos educar das nossas capacidades, habilidades e transformar o mundo para melhor, era o que Jesus esperava da humanidade e não mais guerra ...    



Além disso, Jesus também disse: "Se der ordem àquela montanha (...)”, uma clara referencia as potencialidades espirituais e adormecidas pela religião da época ainda ignorante que colocava um Deus antropomórfico, fora do homem. Ainda, em outra parte do evangelho, Jesus afirma: “(...) eu nada faço, é Deus no meu interior". Talvez, essa afirmação nos lembra de que, ao compreender nossa natureza divina, temos o poder de manifestar nossa vontade e transformar a realidade ao nosso redor (deusinhos). Em outro passagem bíblica controvertida nos dias atuais é afirmativa de Jesus: “O templo de Deus está dentro de nós”, então, está claro que é nesse espaço sagrado interno (cálice divido) que encontramos a sabedoria, conexão e a orientação para trilhar nosso caminho e não em templos de "concreto feitos" por mãos humanas, melhor seria contemplar as riquezas de suas criações de Deus: natureza. 

Essas palavras de Jesus convidam a uma reflexão profunda sobre a natureza divina que reside em cada indivíduo. Ele nos lembra de que somos portadores de uma centelha divina, uma essência sagrada que nos conecta a divindade, não pecadores, pagando algo eternamente, “homem é mal desde sua meninice”. "Certamente tenho sido pecador desde que nasci, pecador desde que me concebeu minha mãe." (Salmos 51:5); Romanos 3:23: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus".  

Partindo desde conceitos dos poderes latentes das potencialidades humanas, na história do pecado original é percebível que mesmo envolto em dogmatismo, doutrinação, liturgia, há diversas dialéticas e históricas entre o Antropocentrismo teocêntrico (homem no centro) e o Teocentrismo antropocêntrico (Deus no centro), existindo uma vontade inerente de Deus (EU SOU) de se conciliar com o homem e vice-versa. E não seriam o pecado, a culpa e o medo, criações humanas e que refletem a metodologia de uma pedagogia tradicional, lamentável em sua manifestação na Terra em momentos iniciais e rudimentares que liberaria o homem? Então, afastaram-se a ciência do divino, do espiritual, e apartamos o evolucionismo do criacionismo, por pura perversão e interesse pessoais, na dúvida da teogonia.            

Hoje, caminhamos a passos largos para o processo evolutivo e histórico, um novo ser humano surge, crianças índigos e cristais, e em meio a um caos vira a ordem, terremotos tomaram a Terra, mas viva de amor, o eixo desta está sendo modificadas, ondas viram sobre a ignorância e soberba humana, alguns dirão o fim ou o começo das dores (Apocalipse), entretanto outros dirão, apenas o começo.  Então em meio as cinzas, uma new Age, um mundo de regeneração, o novo aion, ou seja, um novo tempo é anunciado: pátria do evangelho coração do mundo. A humanidade num movimento ‘antrogeopocêntrico’ (neologismo), com a divindade (dentro do homem), neste estopim a ciência caminha para junto da teologia, dando novos conceitos e significados na busca de seres humanos melhores: parapsicologia, mediunidade, física quântica e outros, na construção do “homem uno-integral” ( neologismo).       



No entanto, essa conexão interna com o reino de Deus (templo de Deus que está DENTRO) nos lembra da importância de olhar para dentro de nós mesmos em busca de sabedoria, discernimento e orientação. Portanto, não devemos atribuir as fatalidades da vida a Deus punindo, testando ou/e a ao Diabo tentado,é imaturo não assumir a própria responsabilidade da vereda do seu destino.






Portanto, a narrativa do pecado original e da árvore do bem e do mal pode ser interpretada como um marco que libertou o homem para pensar por si mesmo, assumindo a responsabilidade por suas escolhas e ações individuais. A individualização da pena e da pessoalidade, como princípio do direito penal, reflete essa noção de justiça, em que cada um é punido de acordo com suas próprias transgressões, nos conduzindo a uma reflexão da nossa natureza divina, saliento dentro de nós, pois o templo está ai dentro, não existe nada fora (no mundo), que seja boa, que não consigas cultivar dentro primeiro, neste movimento introspectivo a evolução em forma de flor nasce em bons campos de orvalho do amor...



 

 

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