terça-feira, 16 de maio de 2023


 

LULA é cristão ou do “demônio”?

 

“Defender a paz na guerra entre Rússia e Ucrânia torna Lula Cristão? Tal atitude torna Lula evangélico?” No Sermão do Monte, há um esclarecimento a respeito disso, em Mateus 5:9: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus". Entende-se que a vida de um cristão é pregar a paz, agir pela paz e não pela guerra! Não é só da boca para fora: "paz do senhor irmão!" Lula é cristão? Mas, aí cabe uma pergunta: Como pregar a paz se meus inimigos me perseguem, e se meu Deus é o Senhor dos Exércitos, violento e mata todos que vão contra ele em favor de mim e faz a guerra a seu favor? Olha bem, o que a Bíblia diz no Novo Testamento: "Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam". Ao contrário, o Velho Testamento prega um Deus de guerra que, descontextualizado, criou uma colisão de normas entre o Velho e o Novo Testamento, uma antinomia. “Quando o jovem hebreu ficou diante do gigante filisteu, ele fez a seguinte declaração: Você vem a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você tem afrontado” (1 Samuel 17:45). Percebe a antinomia? Um conflito entre guerra e paz? Entre amor, perdão e ódio? Entre vida e morte? Entre o Velho Testamento e o Novo Testamento?      

Assim, entendo em minha humilde tese incipiente, que temos duas personas de Deus ou divino na bíblia, Jeová e Jesus. Um paradoxo urge. Estou insistindo neste ponto não para destruir a sua fé, que ainda crê em três em um ou um em três (Pai, Filho e Espírito Santo), mas para fortificá-la e transformá-la em uma fé raciocinada, se assim quiser. Talvez assim consigamos lutar contra os falsos profetas que infestam as igrejas e pregam dinheiro, culpa e medo para tirar mais dinheiro. Eles levam a pensar que Deus é ódio, a tal ponto de seu voto ser de alguém contrário a tudo que Jesus e seus maravilhosos valores ensinaram.                                                                    

Pois bem, temos um Deus apresentado no Velho Testamento, sim, aquele antigo, da época medieval, feudal e antiga, dos copistas, olho por olho e dente por dente, de um homem rude, bruto e violento, moralista. No entanto, surge outra visão de Deus com Jesus, que enfatiza a prática do amor ao próximo, de dar a outra face, de amar quem te odeia, de amar e perdoar os inimigos e de compartilhar o pão. Qual dessas visões de Deus você segue? Se você segue o Deus dos Judeus antigos, com certeza está preso a uma mentalidade antiga de violência exacerbada, com um homem arcaico e um Deus perverso, bipolar e sádico - um Deus que reflete a imagem e semelhança da época deles, ou seja, um Deus imagem e semelhança do homem. Talvez, possamos afirmar com veemência que essa imagem de Deus reflete a nossa sociedade atual e que ela pode trazer mais violência, guerra e ódio para a humanidade pela simples reflexiologia, ou seja, tais conceitos introjetados no subconsciente coletivo trazem mais do mesmo. Um precedente categórico precisa ser criado... Dados demostram que países sem igrejas têm maiores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e deveria ser o contrário.

No entanto, se olharmos para Jesus, encontraremos um "EU SOU" (Deus) que foi contra todo o moralismo religioso dos fariseus e saduceus, está nas estrelinhas. Parafraseando, quando eles perguntaram: "Por que os seus discípulos transgredem a tradição dos líderes religiosos? Não lavam as mãos antes de comer...". Jesus sabiamente respondeu: "O que importa é o que sai da boca do homem e não o que entra, porque o que sai é o que estás cheio no coração". Isso foi uma afronta ao poder constituído deles. Além disso, com pura vontade latente didática, Jesus conceituava os homens da lei antiga judaica, homens do templo, dizendo: "Ai de vós, doutores da Lei e fariseus, hipócritas! Porque sois parecidos com os túmulos caiados: com bela aparência por fora, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda espécie de imundície!" Você se lembra disso? Os reconhece por ai? Não “dá a vida pelas ovelhas”, só tiram e nada... Também, Jesus foi contra o tal império Romano, dizendo: "Eu sou o Senhor dos Senhores", criando confusão na cabeça dos Romanos. Como isso era possível? Prova de um império romano de homens ainda rudes e brutos, onde tudo era baseado na violência, eles não aceitariam que "um mero homem morto em uma cruz seria GRANDE" ou/e "senhor de nada".  Se Jesus votassem, como muitos imploram, suplicam e gritam nos púlpitos, creio que o matariam da mesma forma que outrora, vibram na violência de Jeová, do velho testamento.  

Em suma, se refletirmos nos evangelhos, os seguintes ensinamentos, os quais deveriam seguir aqueles que dizem seguir a Jesus e não Moisés, José, Isaías ou outros menores. Chegaríamos à conclusão que o Messias e/ou o Emanuel foi um revolucionário em seu tempo. Pois pregava a paz e não a guerra, pregava o amor e não o ódio, ao contrário de toda a era antiga e medieval, ainda com homens rudes e violentos. Lembre-se que os fariseus pediram a morte de Jesus, pois ele estava indo contra seus ensinamentos, seu poder e contra Roma. Todos que vão contra o sistema são mortos, marginalizados, desdenhado e escravizados é uma máxima, mesmo sendo uma mínima espiritual, por conta disso jesus disse que os que seguirem será perseguido. 

Neste contexto, quem o segue pode ser reconhecido não pelo terno que veste (fruto do ego), bem semelhante aos fariseus e saduceus, basta ler: "Portanto, eu lhes digo: não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?" Mas por que Jesus escreveu isso? Jesus não estava preocupado com roupas, ouro e joias, como prega a teoria da prosperidade. Mas sua pregação era para as almas serem libertas, das algemas dos romanos e principalmente dos Fariseus e sacudeus cheios de indumentarias e os únicos que consideram salvos. Essa pregação de superioridade, ou seja, a acepção de superioridade (Eugénia) por pertencer a uma religião era comum nas pregações dos fariseus e hoje é usado pelos nazistas e fascistas, dentro da própria igreja. Em suma, evangelho é um convite a uma prática, uma filosofia de vida, não um título (diploma, alicerçado no batismo) como fazia os fariseus hoje e ontem.      

Eu ainda não consigo entender a altura do tom de voz da aleluia, da glória a Deus, ou ainda a oração gritando, suplicando. Parece que algumas pessoas acham que Jesus é surdo, mas ele ensina como devemos orar: “Mas, quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará”. Isso é uma crítica aos fariseus que oravam em público em sinagogas em línguas que ninguém compreendia, cheios de ego, soberba, dizendo que somente eles conseguiam conversar com Deus, pois eram "os escolhidos", arrogância pura, prepotência com suas indumentárias de seda indiana e ouro. Isso parece com alguém hoje em dia?

No entanto, fica claro com os ensinamentos de Jesus que ele estava em tudo em todos.  Sua pregação era nas ruas, nas praças, nos montes e nos rios. Isso porque o templo estava poluído com ensinamentos errados, egoístas e não libertava os homens da algema da carne, por conta disso afirmou, parafraseando: “somos o templo de Deus”. Jesus queria ensinar que é pela prática que ele vive em abundância. Mas quanto a Lula, se ele é evangélico ou cristão, eu não tenho essa informação.  O homem é pelo que fala que é ou por sua prática que mostra quem é? Caráter é o que está oculto, e revela-se quando testado. Boas reflexões?!    

 Vamos refletir racionalmente sobre a fé: de acordo com o último censo, cerca de 70 milhões de brasileiros se identificam como evangélicos, representando aproximadamente 30% da população. No entanto, de acordo com os últimos dados do IBGE, 33 milhões de brasileiros estão passando fome e 67 milhões estão desempregados. Diante disso, a pergunta que surge é: quantos desses 70 milhões são de fato evangélicos ou cristãos praticantes? Até onde se compreende a prática religiosa desses indivíduos?                                                                                                   

“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

 eis que bateu a porta da humanidade, ..... um novo tempo separa o joio do trigo!

Gabriel Rodriguez

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